2º Domingo da Quaresma | Reflexão

 

2º DOMINGO DA QUARESMA | Ano C

Gn 15,5-12.17-18 | Sl 26(27),1.7-8.9abc.13.14 (R. 1a) | Fl 3,17-4,1 | Lc 9,28b-36

 

Dentro do itinerário catecumenal, os domingos da quaresma possuem temas bem específicos que nos ajudam a vivenciar este tempo forte de conversão. Neste 2º Domingo Quaresmal, a temática é a fé. Na primeira leitura, vemos a aliança que Deus faz com Abrão: “Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates” (Gn 15,18). Trata-se de uma aliança, isto é, uma promessa de descendência.

A fé é esta atitude de confiança total ao projeto de Deus, e por isso, é sempre uma resposta livre do homem a Deus. Assim, pela fé, a pessoa humana se submete completamente a Deus em sua inteligência e vontade. É, pois, com todo o nosso ser, que damos assentimento a Deus que se revela a nós, no seu filho Jesus. A bíblia chama “obediência da fé” a esta resposta do homem a Deus revelador (Rm 1,5).

 E confiar nem sempre é tão fácil, sobretudo numa sociedade tão desconfiada de tudo e de todos como a nossa. Nesse tempo quaresmal, o Senhor continua nos chamando para fazer uma profunda experiência de fé, deixando que ele mostre os melhores caminhos para a nossa história. Enquanto permanecermos mergulhados em nosso egoísmo, as coisas continuarão sendo frustrantes.

Até porque, justamente nos momentos de maiores frustrações na vida, são os momentos que a vida mais exige de nós a capacidade de manter a fé acesa. Olhemos para os apóstolos, Pedro Tiago e João: não suportavam a ideia de que o Messias seria entregue e, por isso, de modo pedagógico o próprio Jesus os leva para o Monte Tabor e se transfigura diante deles mostrando, de modo antecipado, a glória da Ressurreição. Naquele instante a fé dos discípulos estava abala. Em nossa caminhada cristã, tantas vezes também abalamos a fé por diversos fracassos.

Pedro, de modo equivocado sugere que se façam tendas para permanecer naquela situação de transfiguração. Contudo, não pode ser assim. A vida não é feita só de transfiguração nem só de desfiguração, “a vida é um rasgar-se e remendar-se” (Guimarães Rosa).

Muitas situações da vida nós somente compreendemos depois que passa; e nossa tendência é supervalorizar os momentos bons e desprezar os momentos de provação. Jesus nos ensina a bem viver cada momento de nossa vida, confiando na promessa de salvação que ele mesmo firmou conosco: “O Senhor é minha luz e salvação de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?” (Sl 26[27], 1).

Paulo, na segunda leitura, afirma que “somos cidadãos do céu” (Fl 3,20). Não fomos feitos para a finitude desta vida, mas para a eternidade da glória celeste. E nesse sentido, a fé é condição necessária para permanecermos firmes nas labutas do dia a dia. Ora, os olhos da fé nos permitem enxergar a vida com mais sabor!

Peçamos, pois, neste tempo de conversão, que o Senhor nos ajude a permanecer firmes na fé a ponto de compreender as dificuldades da vida conscientes de que a morte e o sofrimento não têm, nunca, a última palavra em Jesus Cristo.

Assim seja. Amém!

 

Luis Gustavo da Silva Joaquim

Seminarista na Diocese de Jaboticabal/SP.

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