2º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | Reflexão
Is 49,3.5-6 | Sl
39(40),2.4ab.7-8a.8b-9.10 (R. 8a.9a) | 1Cor 1,1-3 | Jo 1,29-34
Queridos irmãos e
irmãs, a liturgia deste fim de semana nos convida a contemplar Jesus em sua
missão. Se no Jordão o Pai revelou quem Jesus é, o Filho amado, agora o
Evangelho nos mostra como ele se apresenta ao mundo: não com títulos de poder,
mas com uma palavra desconcertante: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado
do mundo” (Jo 1,29).
O que esta afirmação
significa para a fé cristã? O “cordeiro” remete à páscoa dos judeus, em cujo sangue
livra da morte e inaugura a libertação da escravidão (Ex 12). Assim, Jesus é o
novo êxodo, cuja entrega gera libertação definitiva.
O termo “pecado do
mundo” está no singular justamente pelo seu significa teológico profundo: não
são apenas pecados individuais, mas o pecado como situação do mundo afastado de
Deus. Para o evangelista São João, o pecado é rejeitar a luz (Jo 3,19), recusar
a fé (Jo 16,9) e permanecer na mentira (Jo 8,44). Jesus vem ao mundo para transformar
a condição humana alienada de Deus. O mundo, em João, é o lugar amado por Deus
(Jo 3,16), mas também o mundo que resiste à luz (Jo 1,10). Ora, o Cordeiro não
tira o pecado de alguns, mas do mundo inteiro, inclusive do mundo que o
rejeita. A cruz é a forma extrema desse amor paradoxal.
Irmãos, quantas vezes
ouvimos e dizemos por aí frases do tipo “este mundo está perdido”. No entanto,
perguntemo-nos: será verdade isto? Ora, se achamos que o mundo está perdido é
porque não confiamos mais na força restauradora de Jesus, o Cordeiro que tira o
pecado do mundo.
E mais ainda: há uma
tentação escondida nessa frase, a de se colocar fora do mundo, como se quem a
diz não participasse da mesma fragilidade. É a tentação do fariseu, isto é, ver
o mal “lá fora”, “nos outros” e não reconhecer que todos nós vivemos em uma
grande e mesma Casa Comum. Do ponto de vista teológico-cristão, o mundo não são
apenas “eles”; o mundo somos nós, feridos e salvos ao mesmo tempo.
Mesmo quando o mundo parece
perdido, Deus não desiste; mesmo quando a humanidade se afasta, Deus se
aproxima; mesmo quando nós falhamos, Deus se oferece. Sendo assim, enquanto
houver um Cordeiro que tira o pecado do mundo, ninguém está perdido demais. Que
aprendamos com João Batista a apontar para Cristo, e com o Cordeiro a amar até
o fim.
João Batista poderia
ter ficado no centro. As multidões o seguiam, o ouviam, o admiravam. Mas ele
sabe quem é, isto é, João sabe apontar e desaparecer, afinal de contas, a
verdadeira grandeza espiritual é essa: saber sair de cena para que Cristo
apareça.
Enfim, esta liturgia
nos ensina duas atitudes fundamentais, enquanto discípulos: 1) reconhecer Jesus
no meio da rotina, das crises e das buscas humanas, a fim de aprender a dizer com
fé: “Eis o Cordeiro de Deus”; 2) apontar Jesus aos outros como João Batista, a
fim de não viver para nós mesmos, mas conduzir as pessoas a Cristo.
Toda vez que, na
Eucaristia, ouvimos novamente: “Eis o Cordeiro de Deus”, a Igreja renova sua fé
e sua missão. Não seguimos um líder qualquer, mas aquele que carrega o pecado
do mundo para nos devolver a vida. Portanto, renovemos a nossa fé neste Deus
que salva e liberta.
Assim seja. Amém!
Luis Gustavo da Silva Joaquim
Seminarista na Diocese de Jaboticabal/SP.

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