Solenidade da Epifania do Senhor | Reflexão

 

EPIFANIA DO SENHOR, Solenidade | Ano A

Is 60,1-6 | Sl 71(72),1-2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11) | Ef 3,2-3a.5-6 | Mt 2,1-12

 

Irmãos e irmãs, graça e paz!

Neste fim de semana celebramos a manifestação (epifania, em grego) de Deus ao mundo inteiro, por isso, esta solenidade é como uma extensão do Natal. Se na noite de Natal, o profeta Isaías, na primeira leitura, anunciava uma luz para todo o povo de Israel, esta liturgia de hoje nos aponta para uma luz que é capaz de iluminar todo o mundo. É, portanto, uma solenidade que celebra a universalidade da salvação trazida por Deus em seu Filho Jesus Cristo.

São Paulo, na segunda leitura, nos oferece a chave teológica da Epifania. Ele fala de um mistério que esteve oculto e agora foi revelado pelo Espírito: “os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo” (Ef 3,6). Assim, não há mais um Deus exclusivo, mas um Deus que inclui, que rompe fronteiras étnicas, culturais e religiosas. Cristo não é apenas luz para Israel, mas luz que redefine o próprio conceito de povo de Deus.

Por isso a figura dos magos é importante no relato evangélico. Não sabemos ao certo, com definição precisa, quem são eles; podem ser sacerdotes persas, astrólogos mesopotâmicos, etc. Porém, independente disto, eles representam homens estrangeiros que buscam um sentido para a vida e, por isso, se colocam a caminho. Eles seguem a estrela, mas encontram a Luz verdadeira que é Cristo.

É bastante interessante o fato de que os magos vindos os oriente viram a estrela brilhar de longe, ao passo que o rei em exercício, isto é, Herodes, estava mais perto e não a viu. Acontece que, quando nós estamos fechados em nós mesmos, num brilho que achamos ter, não somos capazes de enxergar um palmo além do nosso próprio egoísmo.

Os magos são os homens dos sinais, que sabem olhar para céu e ver na estrela, isto é, o sinal da chegada da luz libertadora de Deus. Talvez hoje, com nosso estilo de vida corrido e superficial, não conseguimos ter tempo para olhar para o céu, para procurar os sinais de Deus, para contemplar a luz quem vem do alto; talvez a vida nos obrigue a andar olhando para o chão, ocupados em coisas que passam. Mas precisamos recordar o que falamos em toda missa: “corações ao alto; o nosso coração está em Deus!”.

Ao encontrarem o menino na casa, os magos o adoraram e ofertaram presentes (Mt 2,11). Nos três presentes, a tradição da Igreja viu representados três aspectos do mistério de Cristo: O ouro indica a realeza de Jesus; o incenso, a sua divindade, e a mirra, o mistério da sua Paixão. Mas também nos mostra que devemos presentear Jesus com ouro, incenso e mirra: o ouro significa o que nós temos de mais precioso; o incenso, o que nós temos de mais sagrado; e a mirra, o que nós temos de mais humano. Em outras palavras, aprendemos com os magos a ofertar a Deus tudo o que somos; integralmente.

O mais bonito dessa manifestação de Deus no mundo é o que ele provoca em nós, como provocou nos magos do Oriente: eles voltaram por outro caminho (Mt 2,12). Depois que ofertamos a nossa vida a Jesus, não podemos mais fazer o mesmo caminho na vida. Portanto, que esta celebração da Epifania nos recorde a universalidade da salvação e o nosso compromisso pessoal diante desse grandioso mistério de amor, que é o tempo do Natal.

Assim seja. Amém!

 

Luis Gustavo da Silva Joaquim

Seminarista na Diocese de Jaboticabal/SP.

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