1º DOMINGO DA QUARESMA, Ano A | Reflexão
Por: Seminarista Luis Gustavo da
Silva Joaquim
Gn 2,7-9.3,1-7 | Sl
50(51),3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a) | Rm 5,12-19 | Mt 4,1-11
Amados irmãos e irmãs,
iniciamos na última quarta-feira (de cinzas) o tempo quaresmal. Sabemos que se
trata de um tempo favorável de encontro com Deus, conversão e mudança de velhos
hábitos. Tanto é verdade que a liturgia de hoje nos apresenta um itinerário
espiritual muito claro, marcado pela experiência da tentação mas, sobretudo, pela
fidelidade à Palavra do Senhor.
Na primeira leitura
temos a resposta do porquê Deus nos criou. Feitos do barro, ele soprou em
nossas narinas para nos dar o dom da vida e assim sermos felizes habitando no
jardim. Ora, o jardim é a nossa própria vida, o mundo em que habitamos, a nossa
Casa Comum. A questão é que se decidimos abraçar as indicações de Deus,
conheceremos essa felicidade sem limites; contudo, se optamos por dar ouvidos à
tentação do egoísmo, da autossuficiência e da ganância, seremos apenas homens e
mulheres nus diante de Deus. Em outras palavras, o pecado que precisamos nos
abster nessa quaresma como um exercício para toda a vida é justamente este:
desobedecer ao projeto de Deus.
Olhemos para o nosso
jardim, isto é, para o nosso mundo hoje: “no Brasil, 6 milhões de famílias
necessitam hoje de uma moradia [...]. Outras 26 milhões de famílias moram em
situação inadequada [...]. Existem mais de 300 mil pessoas vivendo na rua” (Texto
Base da CF-2026, n. 30). A Campanha da Fraternidade nos amplia o olhar para os
irmãos e irmãs. É, pois, um chamado de conversão às nossas consciências
anestesiadas por uma vida cômoda e insensível. Por conta da ganância de alguns
é que essa diferença social existe, mas não deveria. É, portanto, tempo de conversão!
No Evangelho, vemos o
novo Adão, Jesus Cristo, que também é tentado, mas permanece fiel. Onde o
primeiro homem caiu, mas Cristo venceu. Onde Adão quis “ser como Deus”, Jesus
escolhe, sendo Deus, obedecer ao Pai. Aqui está a chave de leitura da Quaresma:
não se trata apenas evitar o pecado, mas de aprender a confiar verdadeiramente em
Deus. As três tentações enfrentadas por Jesus no deserto não pertencem apenas
ao passado, mas elas atravessam toda a nossa frágil história humana:
1. Transformar pedras em pão: “Se és Filho de Deus…”
(Mt 4,3); a tentação de reduzir a vida ao imediato, ao consumo, ao prazer,
esquecendo que o ser humano tem fome de sentido, de transcendência, de Deus. O
tentador sempre nos fará duvidar de nossa identidade filial a Deus.
2. O orgulho espiritual: “Está escrito…” (Mt 4,6); a
tentação de usar Deus para autopromoção, buscar milagres sem compromisso ou instrumentalizar
a fé sem verdadeira conversão. Significa querer que Deus se submeta às nossas
expectativas, ao nosso tempo, à nossa lógica.
3.
O poder e o
domínio: “A ti darei todos os reinos do mundo” (Mt 4,9); a tentação de trocar a
fidelidade por sucesso, vender a consciência em troca de vantagens, buscar a
salvação sem entrega e doação sinceras.
Jesus vence não pela
força, mas pela fidelidade. Ele nos ensina que a verdadeira liberdade não está
em fazer tudo o que se quer, mas em pertencer totalmente a Deus. Assim, o
deserto não é lugar de morte, mas de reencontro com o essencial. Foi no deserto
que o povo de Israel aprendeu a depender de Deus; de modo análogo, é no deserto
quaresmal que somos convidados a nos perguntar: de que pão estou vivendo? A
quem estou adorando? Em quem coloco minha confiança?
Enfim, que este
primeiro domingo nos ajude a compreender que vencer a tentação não é sinal de
força humana, mas fruto de uma vida enraizada em Deus. Cuidemos do nosso
jardim.
Assim seja. Amém!

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