5º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | Reflexão
Por: Seminarista Luis Gustavo da
Silva Joaquim
Is 58,7-10 | Sl
111(112),4-5.6-7.8a.9 (R. 4a.3b) | 1Cor 2,1-5 | Mt 5,13-16
Irmãos e irmãs, a liturgia
deste 5º Domingo do Tempo Comum nos conduz ao coração da vida cristã: a fé que
se torna vida concreta, a espiritualidade que se traduz em gestos visíveis de
amor, a experiência de Deus que ilumina e dá sabor o mundo.
No evangelho, Jesus não
diz: “vós deveis ser”, mas sim “vós
sois”. Trata-se, pois, de uma afirmação de identidade: quem encontrou
Cristo, quem foi tocado pelo Reino, já é sal e luz. A questão não é se somos,
mas como estamos sendo... Em outras palavras, somos questionados acerca da nossa
responsabilidade no mundo: “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo”. Ora,
só poderemos iluminar o mundo se também fomos iluminados por Deus. Jesus
acrescenta que não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de um alqueire,
mas no candelabro para que brilhe para todos os que estão na casa.
É o que também o
profeta Isaías, na primeira leitura, apresenta em sua crítica a religião
fechada em si mesma comum de sua época. O povo jejuava, rezava, fazia ritos, mas
continuava indiferente ao sofrimento do outro; e, por isso, o profeta adverte: “Reparte
o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares
um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne.” (Is 58,7).
Irmãos e irmãs, não
existe verdadeira experiência de Deus que não passe pelo cuidado com o irmão,
de modo que, o culto que não se converte em misericórdia se torna vazio. A luz
nasce da caridade, por isso mesmo Jesus diz: “brilhe a vossa luz diante dos
homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos
céus” (Mt 5,16) Assim, a maneira concreta de sermos luz do mundo é pelas boas
obras, orientando e indicando o caminho no meio da escuridão. Nós somos luzes,
quando somos cristãos convictos e vivemos segundo a fé, com comportamentos simples
e evangélicos, seja em nosso trabalho ou em nossos afazeres mais comuns do dia
a dia.
O sal, por sua vez, dá
sabor aos alimentos, torna-os agradáveis, preserva da corrupção e era, no
passado, um símbolo da sabedoria divina. No Antigo Testamento, prescrevia-se que
tudo que se oferecesse a Deus devia estar condimentado com sal, para significar
o desejo de que a oferenda fosse agradável. Os discípulos de Cristo são o sal
da terra: dão um sentido mais alto a todos os valores humanos, evitam a
corrupção, trazem com as suas palavras a sabedoria aos homens.
Devemos ser conhecidos
como homens e mulheres leais, simples, alegres, trabalhadores, otimistas;
devemos comportar-nos como pessoas que cumprem retamente os seus deveres e que
sabem atuar a todo o momento como filhos de Deus, que não se deixam arrastar
por qualquer vento. A vida do cristão deve ser um sinal claro da presença de
Deus na sociedade. Por isso devemos refletir e perguntar-nos com frequência se
os nossos colegas de trabalho, os nossos familiares e amigos se veem levados a
glorificar a Deus quando presenciam as nossas ações, porque veem em nós a luz
de Cristo. Seria um bom sinal de que em nós há luz e não escuridão, amor a Deus
e não mau exemplo.
Enfim, o lugar do sal é
em meio à comida; o lugar da luz é no teto do ambiente; o lugar da Igreja e dos
cristãos é no mundo, na comunhão com os dramas que afetam a vida das pessoas,
especialmente dos que mais sofrem. Quando nós, enquanto Igreja, nos mantemos
separados do mundo e distantes da realidade das pessoas, não estamos servindo
para nada; estamos, na verdade, traindo a nossa missão de discípulos de Jesus.
Portanto, o Evangelho não nos convida a parecer cristãos, mas a ser; não a
brilhar por nós mesmos, mas a deixar Deus brilhar através de nós.
Assim seja. Amém!

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