3º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | Reflexão
Is 8,23b-9,3 ou At 9,1-22 | Sl
26(27),1.4.13-14 (R. 1a.1c) | 1Cor 1,10-13.17 | Mt 4,12-23
Queridos irmãos e
irmãs, este é o Terceiro Domingo do Tempo Comum, e a liturgia nos convida à
conversão e ao seguimento de Jesus para vivermos a unidade. Abramos, pois, o
coração para acolher esta Palavra que alimenta, dá força e salva.
O texto de Isaías, na
primeira leitura, surge num contexto histórico concreto: a ameaça assíria e a
humilhação dos territórios do Norte (Zabulon e Neftali). Essas regiões foram as
primeiras a cair sob dominação estrangeira, tornando-se símbolo de fracasso
político e religioso. Mas há uma promessa: “O povo, que andava na escuridão, viu
uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz
resplandeceu” (Is 9,1).
Ora, a luz de Deus não
surge em Jerusalém, mas na “Galileia dos gentios” (como era chamada essa
região). Trata-se, pois, de uma região desprezada e marcada pela opressão
política e pela fragilidade religiosa. Portanto, é ali que Deus decide começar
algo novo, pois, o lugar marginalizado é justamente onde o Senhor escolheu para
iniciar sua missão evangelizadora. Tanto é verdade que, no Evangelho, Jesus
começa sua pregação nesta mesma região de Zabulon e Neftali, convidando todos à
conversão pelo Reino.
Neste caminho de
evangelização e pregação, Jesus encontra dois irmãos à beira do mar da Galileia;
assim como somos frequentemente encontramos por Deus quando estamos à beira de
nossa vida, na margem, tristes ou angustiados. O fato é que, os encontrando, Jesus
e diz a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4,19). No
contexto bíblico, o mar indica perigo; ao “pescar” alguém do mar, Jesus está
insinuando que a nossa missão deve participar da obra salvífica de Deus,
retirando pessoas da desorientação e conduzindo-as à vida.
A resposta foi imediata: “eles deixaram imediatamente
as redes e o seguiram” (Mt 4,20). As redes deixadas pelos discípulos
representam tudo àquilo que estrutura nossa vida: trabalho, projetos,
seguranças, sonhos. Seguir Jesus não significa abandonar responsabilidades, mas
submeter tudo a uma nova lógica, a lógica do Reino. Deixar tudo por Jesus não
significa abandonar a vida e as pessoas que amamos, mas sim, ter critérios e
prioridades em nossa existência, afinal de contas, Deus precisa estar sempre em
primeiro lugar!
O Senhor continua
passando em nossas vidas e nos chamando. Assim, o nosso compromisso é “deixar
tudo e segui-lo”. O que significa para nós, hoje, esta expressão? Ora, quando
retomamos a consciência de que o único e mesmo Deus chama a todos para
participar da única e mesma missão, nós tomamos conta também que não podemos
mais viver divididos. Precisamos, urgentemente, ser uma Igreja que saiba viver
a unidade. Mas atenção: unidade é diferente de uniformidade! Cada um ao seu
modo pode e deve colaborar com o Reino de Deus, através da Igreja.
É o que o apóstolo
Paulo adverte na segunda leitura, de modo retórico: “Será que Cristo está
dividido?” (1Cor 1,13). Isto nos revela que a divisão na Igreja é uma
contradição cristológica, isto é, a Igreja só é una porque Cristo é um só. Esta
leitura permanece atual, uma vez que nossas comunidades paroquiais ainda
vivenciam divisões ideológicas, polarizações pastorais e rivalidades entre
grupos, movimentos e lideranças. Acontece que pluralidade de dons só é fecunda
quando permanece enraizada na comunhão, pois, quando Cristo ocupa o centro, as
diferenças se tornam riqueza; e quando isso não acontece, as diferenças se
tornam ruptura.
Portanto, a pergunta “acaso
Cristo está dividido?” continua ecoando como exame de consciência para a Igreja
de todos os tempos. Que o Senhor nos ajude a compreender nossa missão e a
segui-lo fielmente, a fim de que convertamos nossa ação pastoral para vivermos
numa Igreja mais unida.
Assim seja. Amém!
Luis Gustavo da Silva Joaquim
Seminarista na Diocese de Jaboticabal/SP.

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