4º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | Reflexão
Sf 2,3;3,12-13 | Sl
145(146),7.8-9a.9bc-10 (R. Mt 5,3) | 1Cor 1,26-31 | Mt 5,1-12a
Queridos irmãos e
irmãs, a leitura do profeta Sofonias nos apresenta como que Deus recomeça a
história: não com os fortes, mas com o que ele chama de “um povo pobre e
humilde - anawîm”, o resto de Israel.
O “resto” não é o que sobra por acaso, mas o que permanece pela fidelidade de
Deus. Este texto bíblico é, para as nossas comunidades paróquias, um forte
apelo à esperança, pois, sabemos que “a messe é grande e poucos são os
trabalhadores” (Mt 9,37; Lc 10,2), mas ainda assim, não podemos desanimar no
trabalho missionário justamente porque se foi num pequeno resto fiel que Deus
creditou a sua promessa, também ele não nos desamparará jamais.
O apóstolo Paulo, na
segunda leitura, deixa claro que todo cristão é herdeiro da promessa, pois,
todos são chamados por Deus à salvação (1Cor 1,26). No entanto, esta eleição não
passa nem pela sabedoria humana nem pela riqueza, mas provém de Deus por meio
de Jesus Cristo. Assim, “Deus escolheu o que o mundo considera como estúpido,
para assim confundir os sábios; Deus escolheu o que o mundo considera como
fraco, para assim confundir o que é forte” (1Cor 1,27). Isto para nos mostrar
como a lógica de Deus é estranha, numa perspectiva meramente humana.
Se nós somos uma comunidade
fiel, ainda que sejamos um pequeno resto, é porque Deus nos ama, nos sustenta e
continua nos elegendo a cada dia para a missão de testemunhá-lo com a vida. Apesar
de nossas misérias ou de nossa pequenez, é preciso que assumamos, de fato, o
nosso compromisso batismal a fim de compreender o projeto do Reino de Deus na
concretude do dia a dia.
No Evangelho, somos
apresentados às bem-aventuranças. Elas estão no contexto do sermão da montanha,
em que Jesus faz sua pregação sobre o Reino e, por isso, se trata de um caminho
para a felicidade verdadeira em Deus. Somente quem se confia inteiramente em Deus,
isto é, se faz pobre, humilde e pequeno, é capaz de viver este projeto de Amor.
Afinal de contas, o desejo de todo coração humano é ser feliz!
Cada bem-aventurança
expressa uma dimensão da vida do próprio Cristo: pobre em espírito, manso,
solidário com os que choram, misericordioso, puro de coração, promotor da paz,
perseguido por causa da justiça. Portanto, Jesus mesmo é o modelo de felicidade
para todos nós. Mas há algo de interessante no texto bíblico para nossa
reflexão: a expressão “pobres em espírito” (Mt 5,3a) não designa uma condição
econômica, mas de como o ser humano deve reconhecer a sua dependência da graça
divina. Tanto é verdade que essa é a única bem-aventurança que já possui
cumprimento no tempo presente: “porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3b).
A sociedade em que
vivemos diz que feliz é quem tem mais, quem aparece mais, quem vence sempre.
Jesus, no entanto, sobe ao monte e começa seu ensinamento de forma
surpreendente: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos
Céus” (Mt 5,3). Amados irmãos e irmãs, cerca de dois mil anos depois de Jesus
ter feito, no sermão da montanha, as “bem-aventuranças”, elas continuam atuais
para nós, cristãos e cristãs do século XXI. As bem-aventuranças não são apenas
palavras bonitas de Jesus, nem uma lista de exigências difíceis; mas é o jeito
de Jesus viver e, por isso, o jeito de Jesus ensinar e amar.
Uma comunidade
bem-aventurada, uma família bem-aventura, uma pessoa bem-aventurada é aquela
que coloca toda a sua esperança e confiança em Deus; por isso, acolhe os
pequenos, pratica a misericórdia e promove a paz. Empobrecer-se só é
fundamental para quem deseja enriquecer-se de Deus! No fundo, o Evangelho de
hoje nos pergunta: onde temos colocado as nossas seguranças? Jesus nos revela
que a verdadeira felicidade não está em ter mais, e sim em pertencer mais a
Deus. Ora, felizes não são os que nunca sofrem, mas os que, mesmo no
sofrimento, não perdem o coração de discípulo.
Enfim, que sejamos
dóceis ao Espírito Santo, a fim de compreender as bem-aventuranças não como um
peso, mas como um verdadeiro projeto de liberdade, amor e felicidade. Sejamos,
portanto, pessoas bem-aventuradas diante das vicissitudes vida.
Assim seja. Amém!
Luis Gustavo da Silva Joaquim
Seminarista na Diocese de Jaboticabal/SP.

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