3º DOMINGO DA QUARESMA, Ano A | Reflexão
Por: Seminarista Luis Gustavo da
Silva Joaquim
Ex 17,3-7 | Sl 94(95),1-2.6-7.8-9 (R. 8) | Rm
5,1-2.5-8 | Jo 4,5-42
Queridos irmãos e
irmãs, a quaresma é tempo de reconhecer a nossa sede! Na primeira leitura, o povo
está no deserto e sente sede. A sede é real e o sofrimento é concreto, mas a
reação do povo revela a fraqueza espiritual: murmuração, revolta, dúvida. Eles
dizem: “O Senhor está no meio de nós, ou não?” (Ex 17,7). Essa pergunta é o verdadeiro
drama do texto. Não se trata apenas falta de água, mas representa a falta de
confiança! Moisés fere a rocha e dela brota água. Onde parecia haver dureza e
morte, Deus faz surgir vida... Quantas vezes também nós, no deserto das nossas
provações, perguntamos: “Deus está comigo?”, ou “Por que isso está
acontecendo?”.
Ora, o deserto revela o
coração. E nesse deserto, o povo precisou aprender a confiar e esperar em Deus.
Acontece que, confiar e esperar em Deus exige também assumir a vida como ela é,
ou seja, reconhecer as nossas faltas, as nossas fomes e nossas sedes. Nesse
sentido, no Evangelho recordamos um belíssimo encontro: no poço de Jacó Jesus
está cansado, senta-se e tem sede. Mas, poderíamos nos perguntar: quem tem mais
sede? Jesus ou a Samaritana?
O cardeal português
José Tolentino Mendonça comenta esse episódio que “A sua sede [de Jesus] não se
materializa na água, porque não é de água a sua sede. É uma sede maior. É a
sede de tocar as nossas sedes, de contatar com nossos desertos, com as nossas
feridas” (Elogio da sede, p. 20).
A samaritana vai ao
poço ao meio-dia, que é justamente a hora de calor intenso. Talvez, por ser
mulher e samaritana, ela fosse nesse horário para evitar olhares, julgamentos,
comentários. Carrega um cântaro na cabeça e uma história ferida no coração. Mas
há várias belezas nesta informação temporal dada pelo evangelista: ao meio-dia
o sol está no ponto mais alto; não há sombras longas. Tudo fica exposto! Diante
de Jesus, no poço da nossa vida, nós deixamos cair todas as máscaras para que o
Senhor possa ver quem realmente somos, sem sombras. Há também um eco no
Mistério Pascal: à sexta hora (meio dia) houve trevas sobre toda a terra (Mc
15,33). Portanto, Cristo nos encontra justamente no momento mais árido da nossa
vida.
O fato é que Jesus rompe
todas as barreiras: um judeu falando com uma samaritana; um homem falando com
uma mulher; um mestre dialogando com uma pecadora. Ele só pede “Dá-me de beber”
(Jo 4,7). Mas a sede de Jesus não é tanto de água, mas sua sede é de salvar
todos e cada um de nós, seres humanos.
Aos poucos, a conversa
revela também a verdadeira sede da mulher: sede de amor verdadeiro, de
dignidade, de sentido. Ora, só sabemos que temos sede porque conhecemos a fonte
de Água Viva, que é Cristo. Mas saber da existência de nossas sedes, nossas
faltas e nossas misérias, não é suficiente. Precisamos ter coragem de assumir o
quanto necessitamos da verdadeira água, que é capaz de sanar nossa sede de
Eternidade. Assim, a mulher vai ao poço com um cântaro e volta deixando o
cântaro para trás, porque encontrou a verdadeira fonte de Água Viva.
Enfim, no deserto, Deus
fez brotar água da rocha. Na Samaria, Cristo fez brotar fé de um coração
ferido. E na cruz, fez brotar salvação para o mundo. Assim, hoje Jesus quer
sentar na beira do poço da nossa vida nos para dizer: “Dá-me de beber.” E, se
abrirmos o coração, descobriremos que aquele que nos pede algo é justamente
quem pode nos dar tudo. Que nesta Quaresma deixemos o cântaro velho de nossas
seguranças e corramos anunciar que encontramos a Fonte verdadeira de vida, amor
e paz. Que saibamos reconhecer nossas sedes.
Assim seja. Amém!

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