4º DOMINGO DA QUARESMA, Ano A | Reflexão
Por: Seminarista Luis Gustavo da
Silva Joaquim
1Sm 16,1b.6-7.10-13a | Sl
22(23),1-3a.3b-4.5.6 (R. 1) | Ef 5,8-14 | Jo 9,1-41
Amadas irmãs, amados
irmãos; chegamos ao 4º Domingo do Tempo Comum, o chamado “Domingo Laetare” ou
“Domingo da Alegria”. A Quaresma tem quarenta dias de conversão, oração e
penitência. O quarto domingo marca aproximadamente o meio desse caminho. É como
se a Igreja dissesse: “continuem caminhando, porque a Páscoa está próxima...”.
Na primeira leitura, do
Primeiro Livro de Samuel, o profeta é enviado para ungir o novo rei de Israel.
Quando ele vê os filhos de Jessé, naturalmente se impressiona com a aparência
dos mais fortes e imponentes. Mas Deus lhe diz: “O homem vê as aparências, mas
o Senhor vê o coração” (1Sm 16,7). Então, é escolhido o mais novo, chamado
Davi, que era pastor e nem sequer havia sido chamado para a reunião. Ora, o
olhar de Deus não segue os critérios humanos.
Este texto prepara o
Evangelho: assim como Samuel teve de aprender a olhar de outra maneira, também
nós precisamos aprender a ver com o olhar de Deus. A cena do Evangelho começa
com uma pergunta muito humana: “Quem pecou para que ele nascesse cego?”. Ora, os
discípulos procuram um culpado. Diante do sofrimento, tantas vezes, buscamos
explicações rápidas. Mas Jesus rompe com essa lógica, ele não está interessado
em explicar o sofrimento, mas ele deseja transformá-lo em lugar de manifestação
da glória de Deus: fazer o que é treva e escuridão se converter em luz e vida;
pois ele diz “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo” (Jo 9,5).
A cegueira daquele
homem não era apenas física; ela simboliza algo muito mais profundo: a condição
humana sem Deus. O pecado obscurece o coração, a vaidade turva a inteligência,
o orgulho fecha os olhos da alma. Muitas vezes vemos tudo e todos à nossa volta,
mas não somos capazes de enxergar a verdade que vem de Deus. Por isso o gesto
de Jesus é tão significativo, ele faz lama com a saliva, unge os olhos do cego
e manda que ele se lave na piscina de Siloé.
Com este gesto, Jesus refaz
o homem: aquele barro lembra o barro do Gênesis com o qual Deus formou a pessoa
humana. É, pois, Cristo quem recria os olhos daquele cego assim como regenera a
nossa vida através do nosso batismo. O verdadeiro milagre não é apenas físico,
mas é o crescimento da fé, pois, ao longo da narrativa, o homem vai descobrindo
quem é Jesus: primeiro diz ser “um homem chamado Jesus” (Jo 6,11); depois
afirma: “ele é um profeta” (Jo 6,17); mais tarde reconhece: “ele vem de Deus” (Jo
6,33), e finalmente proclama: “Eu creio, Senhor!” (Jo 6,38). Irmãos e irmãs, a
visão física veio de imediato, mas a visão espiritual foi crescendo aos poucos.
A fé também é assim: ela amadurece no caminho, nas perguntas, nas
incompreensões e até nas perseguições.
Curiosamente, enquanto
o cego passa a enxergar, os fariseus vão ficando cada vez mais cegos, de modo
que eles veem o milagre, mas recusam a verdade. Não é falta de olhos; é falta
de humildade e de fé! É como diz o ditado: “o pior cego é aquele que não quer
ver”.
Talvez haja ainda cegueira
no orgulho, na falta de perdão, na indiferença, na superficialidade da fé em
nosso coração. Contudo, a boa notícia deste Evangelho é que Jesus continua
passando pelo caminho da nossa vida para nos devolver a visão, isto é, a
salvação já está acontecendo. Portanto, a alegria deste domingo não é uma
alegria superficial, é a alegria de quem começa a enxergar. Que possamos dizer
como aquele homem curado: “Eu era cego e agora vejo” (Jo 6,25).
Assim seja. Amém!

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