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5º DOMINGO DA QUARESMA | Reflexão

 

5º DOMINGO DA QUARESMA, Ano A | Reflexão

Por: Seminarista Luis Gustavo da Silva Joaquim

Ez 37,12-14 | Sl 129(130),1-2.3-4ab.5-6.7-8 (R. cf. 7) | Rm 8,8-11 | Jo 11,1-45

Querida irmã, querido irmão. À medida que nos aproximamos da Semana Santa, a Palavra de Deus nos conduz ao coração do mistério: a vitória da vida sobre a morte. Hoje, tudo converge para uma grande promessa: Deus não se conforma com aquilo que está morto em nós.

No texto do Evangelho, ouvimos a revivificação de Lázaro. Trata-se do sétimo e último sinal no Evangelho de João, em cujos milagres são chamados de sinais porque apontam para uma realidade mais profunda: revelar a identidade de Jesus Cristo. Desde o início, o texto nos coloca diante de uma tensão teológica fundamental: a aparente ausência de Deus diante do sofrimento humano. A demora de Cristo não é negligência, mas pedagogia reveladora, pois, trata-se da manifestação da glória divina, que não se reduz a esplendor visível, mas consiste na autocomunicação de Deus na História de Salvação.

Mas algo nos impacta no relato: diante da morte de um amigo, Jesus chora (Jo 11,35). Ora, Jesus sendo Deus, nos mostra com este gesto que o Senhor não é indiferente ao nosso sofrimento. Ele não nos salva de longe. Ele entra na nossa dor, sente conosco, chora conosco. Mas Ele não fica no choro.

Jesus vai ao encontro do túmulo de Lázaro e diz: “vem para fora!” (Jo 11,43). Em nossa existência, precisamos aprender a sair de dentro de nossos próprios sepulcros, pois, tantas vezes estamos vivos por fora, mas enterrados por dentro… O profeta Ezequiel, na primeira leitura, já anuncia: “Abrirei as vossas sepulturas e vos farei sair delas” (Ez 37,13). Não se trata apenas de morte física. São também os sepulcros interiores: pecados que se repetem, desânimo espiritual, relacionamentos feridos, fé enfraquecida.

Assim, aprendemos com Jesus a despojar de nós mesmos para sairmos ao encontro dos irmãos e irmãs necessitados. Perguntemo-nos: Onde em mim há morte? Onde perdi a esperança? Onde me afastei de Deus?

Este sinal de Jesus nos afirma que ele não apenas conforta ou consola, mas devolve a vida! Devolve a dignidade e o sentido das coisas. Em Jesus Cristo, até o que já “cheira mal” (Jo 11,39) pode voltar a viver. No entanto, ele ainda nos ensina que para voltar a viver diante de tantas realidades de morte que existe em nós, é preciso mover-se: “Desatai-o e deixai-o caminhar” (Jo 11,44).

Desatar e caminhar significa que precisamos colaborar com a graça de Deus: se queremos uma existência que realmente faça sentido é preciso que saiamos de nosso pecado, de nossa indiferença, de nossa incredulidade e caminhemos ao encontro daquele que é a Ressurreição e a Vida (cf. Jo 11,25). Este é o papel da comunidade, de ser ponte até Deus. Ora, a comunidade é chamada a participar no processo de libertação daquele que foi vivificado por Cristo. A salvação, embora originada em Deus, se desdobra no tecido da comunhão, da unidade, da eclesialidade. Perguntemo-nos: nossa comunidade paroquial cumpre o papel de conduzir os irmãos à vida em Cristo ou coloca ainda mais obstáculos?

É importante se notar que esse sinal de Jesus (devolver a vida a Lázaro) não é apenas um gesto de compaixão, mas é também o que desencadeia a decisão das autoridades de matarem Jesus. Em outras palavras, ao dar vida a Lázaro, Jesus começa a entregar a própria vida: este é o paradoxo da fé! Esta é o sentido da vida: doar-se.

Enfim, que neste final de Quaresma, próximos da Semana Santa, possamos ouvir a voz de Jesus chamando cada um pelo nome e que, tenhamos a coragem de sair do nosso túmulo para uma vida nova em Cristo.

Assim seja. Amém!

 

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