DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO
SENHOR, Ano A | Reflexão
Por: Seminarista Luis Gustavo da
Silva Joaquim
Is 50,4-7 | Sl 21(22),8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a) | Fl 2,6-11 | Mt 26,14-27,66
Amados irmãos e irmãs,
como sabemos, a Semana Santa tem início com a celebração de Ramo e da Paixão do
Senhor. Adentrar a Semana Santa é mais do que lembrar, mas é participar,
vivenciar e testemunhar. É, pois, caminhar com Cristo. Deixemos que a cruz de Jesus
ilumine as nossas cruzes diárias.
No Evangelho proclamado
antes da procissão percebemos uma grande alegria: “Hosana ao Filho de Davi!” (Mt
21,9) é o que o povo aclama enquanto Jesus entra em Jerusalém. Mas é importante
perceber que ele não entra como um rei poderoso segundo os critérios humanos,
isto é, não vem com exércitos, nem com ostentação. Jesus vem montado num
jumentinho, que é sinal de humildade, de mansidão, de um reinado totalmente
diferente. Aqui já está uma primeira provocação espiritual: que tipo de Rei nós
queremos? Um Deus que resolve tudo conforme a nossa vontade ou um Deus que nos
salva pelo amor que se entrega?
A Paixão narrada hoje é
longa, e precisa ser longa, afinal de contas, ela nos obriga a permanecer
diante do mistério do sofrimento de Cristo. Não dá para resumir o amor de Deus.
Não dá para encurtar a cruz! Diante de tão grande mistério de amor nós podemos
nos identificar com vários personagens:
Podemos ser como Pedro,
que promete fidelidade, mas nega por medo; ou como Judas, quando trocamos Deus
por interesses pequenos; Podemos ainda ser como a multidão, que se deixa levar
pela pressão dos mais poderosos deste mundo; ou podemos ser como Pilatos, que
reconhece a verdade, mas não tem coragem de assumi-la. A decisão é somente nossa!
No entanto, por outro
lado, podemos ser como o Simão Cireneu, que ajuda Jesus a carregar a cruz; ou
como a Verônica, que enxuga o rosto de Cristo. Podemos ainda viver o exemplo
das mulheres, que permanecem fiéis até o
fim; ou, sobretudo, como o bom ladrão, que no último instante confia. O fato é
que Domingo de Ramos já aponta para a vitória: aquele que entra humilde em
Jerusalém é o mesmo que sairá glorioso do sepulcro. Mas não existe Ressurreição
sem cruz, nem Páscoa sem entrega. Em outras palavras, não existe vida nova sem
morrer para o pecado.
“O homem caiu
miseravelmente, Deus desceu misericordiosamente” (Santo Agostinho). Foi isso
que ouvimos na segunda leitura: “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não
fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo
a condição de escravo e tornando-se igual aos homens” (Fl 2,6-7). Ora, Jesus
não deixa de ser Deus, mas renuncia aos privilégios da sua glória para amar a
humanidade até o extremo. Nós queremos um Deus forte, que resolva, que
intervenha com poder visível, mas Jesus entra em Jerusalém desarmado. E isso
escandaliza.
Assim, a entrada de
Jesus em Jerusalém é uma luz para nossa escuridão: significa um Deus vem ao
nosso encontro com humildade, que a cruz faz parte desse caminho e, sobretudo,
que ser cristão é imitar esse Mestre e Senhor que entra pequeno, mas transforma
tudo.
Enfim, mais do que
entrar em Jerusalém, Jesus quer entrar no coração de cada um. A cidade
representa a nossa vida: nossos pensamentos, decisões, pecados, esperanças.
Tenhamos a coragem de aclamá-lo como Rei e Senhor ao longo de toda a nossa
vida, a fim de que compreendamos que o seu Reinado é de amor, e não de poder.
Assim seja. Amém!

Comentários
Postar um comentário