4º DOMINGO DA PÁSCOA, Ano A | Reflexão
Por: Seminarista Luis Gustavo da
Silva Joaquim
At 2,14a.36-41 | Sl 22(23),1-3a.3b-4.5.6 (R. cf. 1.2c) | 1Pd 2,20b-25 | Jo 10,1-10
Queridos irmãos e
irmãs, este é chamado “Domingo do Bom Pastor”, isto é, o 4º Domingo da Páscoa. A
liturgia deste domingo tradicionalmente recebe este nome porque o Ressuscitado
se revela não apenas como aquele que venceu a morte, mas como aquele que
continua conduzindo, guardando e dando vida ao seu povo.
Fato interessante é
que, antes mesmo de Jesus dizer “Eu sou o Bom pastor” nos versículos seguintes,
ele se apresenta como a porta: “Eu sou a porta das ovelhas” (Jo 10,7). Na
tradição bíblica, a porta é símbolo de passagem, discernimento e segurança. A
porta separa o exterior ameaçador do espaço protegido, isto é, ela define por
onde se entra e por onde se sai. Quando Jesus diz: “Eu sou a porta”, ele está
afirmando que toda verdadeira salvação, toda autêntica liberdade, toda vida plena
passa por ele. Em outras palavras, não existe plenitude humana fora de Cristo.
Quantas vezes buscamos
sentido em lugares que apenas nos ferem? Quantas vezes entramos por portas
erradas? Portas do ressentimento, da autossuficiência, do pecado silencioso, da
dispersão interior. E nesse sentido, o Salmo responde lindamente: “O Senhor é
meu pastor, nada me faltará”. Ora, verdadeiramente, nada falta àquele que
encontrou a porta verdadeira.
Nada nos falta à medida
que nos deixamos ser conduzidos por sua voz. Por isso Jesus diz que as ovelhas
“conhecem a sua voz” (Jo 10,4). Esta Palavra nos leva a uma pergunta muito
concreta para este domingo: quem está conduzindo a minha vida? Quem define
minhas escolhas? Meus afetos? Meu tempo? Minha vocação? Minha família?
O Bom Pastor não quer
apenas visitantes ocasionais, mas discípulos. Não basta saber que a única porta
de acesso à Vida Eterna é Jesus, é preciso que escutemos a sua voz de queiramos
passar por esta porta. Afinal de contas, a sociedade é atravessada por muitas
vozes: algumas conduzem à vida; outras conduzem à morte. Jesus fala da sua voz
como aquela que chama pelo nome, reconhece a dignidade e conduz à liberdade. Em
contraste, a violência social nasce de vozes distorcidas: a voz do machismo, a
voz da posse, a voz do controle, a voz da humilhação, a voz da masculinidade
violenta. Ora, são vozes que desumanizam.
Jesus termina dizendo “Eu
vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Na perspectiva
cristã, vida em abundância não significa apenas existir biologicamente, mas
significa vida com segurança, respeito, liberdade, voz, dignidade, etc. Assim,
o feminicídio, a violência doméstica, o abuso e o silêncio social são formas
concretas da ação do ladrão que mata e destrói. Essas são vozes que não devem
ser ouvidas, pois a voz da violência nunca é a do Bom Pastor. Mais uma vez:
quais vozes temos seguido?
Todo ato que gera morte
e violência começa com pequenas vozes cotidianas que a sociedade normaliza:
piadas, ridicularização, desprezo, etc. Todos nós, homens e mulheres de fé, precisamos
discernir a voz que estamos escutando: a voz do Bom Pastor, que chama à vida e
ao respeito, ou as vozes da cultura da dominação e do descarte, que silenciam e
matam.
Enfim, que neste
Domingo do Bom Pastor, peçamos a graça de reconhecer a voz de Cristo em meio a
tantas vozes. Que nos faça entrar pela porta da verdadeira vida a ponto de
repetirmos com fé: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”.
Assim seja. Amém!

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