5º DOMINGO DA PÁSCOA, Ano A | Reflexão
Por: Seminarista Luis Gustavo da
Silva Joaquim
At 6,1-7 | Sl 32(33),1-2.4-5.18-19 (R. 22) | 1Pd 2,4-9 | Jo 14,1-12
Amadas irmãs e irmãos,
quando estudamos a história da Igreja nesses mais de dois mil anos de existência,
nos apercebemos de que muitos tentaram e continuam tentando destruí-la. Mas,
por que será que, até hoje, não conseguiram? A resposta está na liturgia deste
4º Domingo da Páscoa: Cristo ressuscitado permanece vivo no meio da sua Igreja
e continua a conduzir o seu povo. A Igreja não se sustenta em estruturas
humanas, apenas, mas na presença viva do Ressuscitado. E isso também vale para
a nossa comunidade. Quantas vezes passamos por dificuldades, desânimos, falta
de agentes, conflitos pastorais, enfermidades nas famílias, lutos e
preocupações… e, mesmo assim, o Senhor continua conduzindo o seu povo.
Na primeira leitura,
vemos a Igreja nascente enfrentando um problema concreto: as viúvas de língua
grega estavam sendo esquecidas na distribuição diária. E diante desta
dificuldade, o que faz a comunidade? Ela discerne, organiza e responde com
caridade: os apóstolos escolhem sete homens cheios do Espírito Santo para o
serviço. Aqui aprendemos algo essencial: a Igreja cresce quando cada membro
assume sua missão. Se por um lado, nesses anos todos, tivemos pecadores que
tentaram destruir a Igreja, tivemos mais ainda santos e santas, que
testemunharam com fé a missão a Palavra de Jesus.
Nesse sentido, São
Pedro, na segunda leitura, usa uma imagem belíssima: “Vós sois pedras vivas”
(1Pd 2,5). Cristo é a pedra angular, a pedra fundamental e, sobre ele toda a
construção se sustenta. E nós somos chamados a ser pedras vivas desse edifício
espiritual, isto é, ninguém é inútil na Igreja, mas cada batizado tem lugar; cada
vocação tem seu valor; cada ministério tem importância. Há pessoas em nossas
comunidades, hoje, que se sentem como uma pedra esquecida, sem valor ou até
distante da comunidade; mas não nos esqueçamos que todos tem lugar na Igreja!
No Evangelho, estamos
no contexto da Última Ceia. Os discípulos percebem que algo grave está para
acontecer. O clima é de despedida, de insegurança, de medo. E é justamente
nesse contexto que Jesus oferece paz: “Não se perturbe o vosso coração” (Jo
14,1). Quantas vezes também o nosso coração se perturba? Pelas preocupações da
família, pelas enfermidades, pelas dificuldades financeiras, pelos sofrimentos
da Igreja, pelas incertezas do mundo… Ele não diz que não haverá tribulações,
mas sim “não se perturbe”, porque a fé em Deus que nos sustenta nas
adversidades. A paz cristã não é ausência de problemas; é a certeza de que
Cristo caminha conosco dentro deles.
Outra fala importante
do Senhor neste contexto é: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” (Jo 14,6).
Ora, o cristianismo não é apenas um conjunto de ideias, normas ou valores; é,
antes de tudo, uma pessoa. Num mundo em que tantos caminhos são propostos,
tantas vozes disputam nosso coração, a Igreja hoje nos recorda: somente Cristo
conduz à plenitude. Ele é o Caminho porque nos dá acesso ao Pai; ele é a
Verdade porque revela o sentido último da história; ele é a Vida porque a
separação causada pelo pecado é vencida na sua encarnação, morte e
ressurreição.
Assim,
neste 5º Domingo da Páscoa, a Palavra nos convida a três atitudes: confiar,
amar e servir. Confiar que Deus
sustenta a nossa história, mesmo diante das tribulações que perturbam o
coração; amar acima de tudo aquele
que nos chama e nos sustenta porque ele é o Caminho, a Verdade e a Vida; servir a Igreja em nossas comunidades
do modo que podemos e que conseguimos. A Igreja permanece porque Cristo vive. E
se Cristo vive, há esperança para a nossa casa, para a nossa comunidade e para
o nosso coração.
Enfim, perguntemo-nos: onde
o Senhor está nos chamando a confiar mais? Como podemos amar mais? De que forma
concreta podemos servir melhor a nossa comunidade? Que neste tempo pascal nosso
coração se fortaleça na certeza de que Cristo é o caminho seguro, a verdade que
liberta e a vida que salva.
Assim seja. Amém!

Comentários
Postar um comentário