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ASCENSÃO DO SENHOR | Reflexão

 

ASCENSÃO DO SENHOR, Solenidade | Reflexão

Por: Seminarista Luis Gustavo da Silva Joaquim

At 1,1-11 | Sl 46(47),2-3.6-7.8-9 (R. 6) | Ef 1,17-23 | Mt 28,16-20

Amadas irmãs e irmãos, a liturgia da Ascensão do Senhor nos coloca diante de um mistério que, muitas vezes, pode ser mal compreendido. À primeira vista, parece uma despedida: Jesus sobe aos céus e deixa os discípulos. Porém, a Ascensão não é ausência; é plenitude de presença. Cristo não abandona a humanidade. Ele inaugura um novo modo de estar conosco. Esta solenidade indica, na verdade, o destino de todo cristão fiel: a vida eterna.

Na primeira leitura ouvimos que, enquanto acontecia a Ascensão de Jesus, “Os apóstolos continuavam olhando para o céu...” (At 1,10); então os homens lhe disseram “por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu...” (At 1,11). Ora, celebrar a Ascensão não é convite à fuga do mundo, mas envio para a missão. Não é alienação espiritual, mas compromisso profundo com a história humana. Precisamos sim ter o coração elevado aos céus (corações ao alto), mas os nossos olhos precisam estar atentos para as necessidades dos irmãos. Quem caminha olhando para o céu tropeça e cai.

Tanto é verdade que, no Evangelho, Jesus nos dá o mandato missionário: “Ide, portanto, e fazei discípulos entre todas as nações”. A Ascensão transforma discípulos medrosos em testemunhas. A Igreja nasce em saída, pois, não existe cristianismo fechado em si mesmo. Quem encontrou verdadeiramente Cristo não consegue guardar esse encontro apenas para si.

Jesus, pois, sobe ao Pai levando consigo a nossa humanidade. Este é um dos aspectos mais profundos desta solenidade: em Cristo, a humanidade entra definitivamente na glória de Deus. A carne humana, tantas vezes marcada pela fragilidade, pelo sofrimento e pelo pecado, agora está sentada à direita do Pai. A Ascensão revela a dignidade última da pessoa humana, de modo que o nosso destino não seja o vazio, nem a morte definitiva, mas a comunhão eterna com Deus.

A Ascensão é a exaltação de Cristo. Aquele que desceu na humildade da Encarnação, que assumiu a cruz, a dor e a morte, agora é glorificado pelo Pai. O Crucificado é Senhor do universo; e aqui está uma verdade profundamente importante para a nossa vida cristã: quem reina no céu é aquele que foi ferido na terra. O Senhor glorioso conserva as marcas dos cravos. Isso significa que o sofrimento unido a Cristo nunca é inútil. A cruz não é a palavra final, pois Deus transforma humilhação em glória, dor em redenção, morte em vida.

Pela Ascensão, nossa natureza humana entra no céu. Um homem, verdadeiro homem, está glorificado junto do Pai. Isso muda completamente nossa compreensão da existência humana. O destino do homem não é o vazio, não é o absurdo, não é simplesmente a morte. Nosso destino é Deus. A Ascensão, portanto, revela a vocação eterna da humanidade!

Os Padres da Igreja gostavam de dizer que, na Ascensão, Cristo não se afastou da terra; Ele levou a terra para dentro do céu. Nossa humanidade agora possui um lugar no coração de Deus. Ascender com Cristo significa levantar o coração acima das pequenas prisões deste mundo: o egoísmo, a superficialidade, a mediocridade espiritual, a falta de perdão, a indiferença diante da dor alheia. Para, a partir daí, sermos testemunhas de Cristo Vivo neste mundo tão marcado por morte. Enquanto os discípulos olhavam para o céu, Jesus os enviava de volta ao mundo. Eis o paradoxo cristão: ter o coração no céu e os pés firmes na terra.

Enfim, solenidade de hoje é também um chamado à esperança. Em um mundo marcado por tantas desilusões, violências e inseguranças, Cristo nos recorda que o céu existe e que a nossa pátria definitiva é eterna. Não fomos criados apenas para esta vida passageira; fomos criados para Deus. Mas enquanto não chegamos à plenitude do Reino, o Senhor nos envia em missão. Não podemos permanecer parados “olhando para o céu”, indiferentes às dores do mundo. Que hoje o Senhor eleve também os nossos corações. Que aprendamos a viver com os olhos voltados para a eternidade, sem fugir das responsabilidades da terra.

Assim seja. Amém!

 

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