SANTÍSSIMA
TRINDADE, Solenidade | Reflexão
Por:
Seminarista Luis Gustavo da Silva Joaquim
Ex 34,4b-6.8-9 | Dn 3,52.53.54.55.56 (R. 52b) | 2Cor 13,11-13 | Jo 3,16-18
Hoje a Igreja
não celebra um mistério entre outros, mas o mistério central da nossa fé: Deus
é Trindade. E aqui já precisamos ajustar o olhar: não se trata de um enigma
matemático (três em um) nem de uma curiosidade teológica distante da vida.
Trata-se da verdade mais concreta e transformadora que existe: Deus, em si
mesmo, é comunhão de amor.
Contudo, há um
erro comum: tentar explicar a Trindade como se fosse um problema lógico. O ser
humano até tentou alcançar Deus pela razão, pela filosofia, pelos símbolos
religiosos; mas nenhuma inteligência humana teria sido capaz de imaginar um
Deus-Trindade a não ser o que ele mesmo quis revelar a nós. Sendo assim, Deus
não é um problema a ser resolvido, mas é um mistério a ser adorado e vivido. Santo
Agostinho ensinava: “se você compreendeu, não é Deus”.
A beleza da
Trindade consiste justamente no mistério do Amor: o Pai é aquele que ama; o
Filho é amado; o Espírito Santo é o próprio amor. Nesta “ciranda” eterna de
amor aprendemos o que Deus quer de nós: que saibamos amar e ser amados. Não há
vida trinitária se não houver amor, comunhão e doação. Porque fomos criados à
imagem e semelhança de Deus, e se Deus é comunhão, então ninguém se realiza
sozinho! O individualismo é uma deformação do coração humano, ao passo que a
lógica da Trindade é da abertura, da reciprocidade e da entrega.
Tanto é verdade
que, no Evangelho desta liturgia ouvimos que Deus quer salvar o mundo por seu
Filho Jesus, na unidade do Espírito Santo. Ou seja, não existe salvação na
solidão, mas sim na comunhão, na unidade. Afinal de contas, esta é uma das
grandes crises do nosso tempo: aprendemos a consumir relações, mas
desaprendemos a viver comunhão; temos conexões com o mundo todo, mas não criamos
vínculos efetivos e efetivos; temos muita informação, mas pouca intimidade.
Quando olhamos
para Jesus, vemos a Trindade tornar-se visível na história. Cristo nunca
aparece isolado: Ele fala do Pai e promete o Espírito. Toda a vida de Jesus é
trinitária. No batismo do Jordão, o Filho entra nas águas, o Espírito desce
como pomba e a voz do Pai proclama: “Este é meu Filho amado”. Na cruz, o Filho
se entrega ao Pai e derrama o Espírito sobre o mundo. A salvação inteira é,
pois, obra da Trindade.
Pelo sacramento
do batismo nós somos mergulhados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito
Santo”. Isso significa que a Trindade habita em nós. Não estamos sozinhos
porque o Pai nos sustenta, o Filho nos redime e o Espírito nos santifica. Por
isso, a vida cristã é participação na vida de Deus, e “Deus é amor” (1Jo 4,8). Por
isso, toda vez que fazemos o sinal da cruz, invocando sobre nós a Trindade
Santa, estamos dizendo sem palavras: “Eu pertenço ao amor do Pai, fui salvo
pelo Filho e sou habitado pelo Espírito Santo.”
“Em nome do
Pai…”: Levamos a mão à cabeça. O Pai é a origem de tudo. Dele vem a vida, a
criação, o amor primeiro. Não somos fruto do acaso: fomos pensados, queridos e
amados pelo Pai.
“…e do Filho…”: A
mão desce ao peito. O Filho desceu do céu e entrou na nossa humanidade. Jesus
veio ao coração do mundo, assumiu nossa carne, nossas dores, nossa cruz. O
sinal desce porque Cristo desceu até nós.
“…e do Espírito
Santo”: A mão vai de um ombro ao outro. O Espírito é o amor que une, que
abraça, que faz comunhão. Ele estende em nós a vida de Deus e nos envia aos
irmãos. O Espírito nos abre para o outro, rompe nosso fechamento e faz da
Igreja um só corpo.
ORAÇÃO:
Ó Trindade Santa, vós que sois fonte de unidade, comunhão e amor, fazei com que
sejamos homens e mulheres abertos ao diálogo, à fraternidade e à mansidão.
Transformai o nosso coração fechado em morada da vossa ternura divina. Que
sejamos mais para os demais assim como vós fostes, sois e sereis por cada um de
nós em vossa eterna relação de amor. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito
Santo. Amém!

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