PENTECOSTES, Solenidade | Reflexão
Por: Seminarista Luis Gustavo da
Silva Joaquim
At 2,1-11ª | Sl 103(104),1ab.24ac.29bc-30.31.34 (R. cf. 30) | 1Cor 12,3b-7.12-13 | Jo 20,19-23
Amados irmãos e irmãs, chegamos à
Solenidade de Pentecostes, isto é, cinquenta dias após a festa da Páscoa. No
Antigo Testamento, esta data já existia como uma festa agrícola e, já no Novo
Testamento, recebe um aspecto mais histórico e teológico. O fato é que,
celebrar Pentecostes não significa celebrar o nascimento da Igreja, uma vez que
ela nasce do lado aberto de Jesus na cruz. A Constituição Dogmática do Concílio
Vaticano II chamada “Lumen Gentium” (n. 2) aponta que o dia de
Pentecostes indica a manifestação pública da Igreja pela efusão do Espírito
Santo, isto é, Pentecostes tem tudo a ver com envio e missão. É, pois, o momento em que a comunidade dos
discípulos deixa o cenáculo e vai ao encontro do mundo.
O Espírito Santo não foi dado à
Igreja para que ela permanecesse parada, acomodada ou voltada para si mesma. O
Espírito é dinamismo, impulso, fogo que envia. Por isso, Jesus sopra sobre os
discípulos e diz: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21). A
primeira leitura narra que pessoas de várias nações ouviam os discípulos
proclamarem “as maravilhas de Deus” em suas próprias línguas. O Espírito Santo
não uniformiza, mas alcança cada povo, cada cultura, cada coração. A missão da
Igreja é universal para que o Evangelho chegue a todos.
O Evangelho nos apresenta os
discípulos novamente reunidos numa casa, “com as portas fechadas por medo dos
judeus” (Jo 20,19). O medo é uma das grandes prisões do ser humano. Medo do
futuro, medo da rejeição, medo de perder, medo de testemunhar a fé. Mesmo vendo
o medo dos discípulos, Jesus se aproxima e sopra sobre eles dizendo: “Recebei o
Espírito Santo” (Jo 20,22). Ora, esse sopro recorda Gênesis, quando Deus soprou
nas narinas do homem o hálito da vida. Agora Cristo ressuscitado comunica uma
vida nova. O Espírito Santo é o sopro do Ressuscitado sobre a Igreja.
O fato é que o Espírito Santo
transforma discípulos em missionários. Não existe verdadeiro encontro com
Cristo que não gere anúncio, pois, quem recebeu o fogo do Espírito não consegue
guardar Jesus apenas para si. O problema é que, muitas vezes, nós queremos um
Pentecostes sem missão. Queremos sentir Deus, experimentar consolações
espirituais, viver momentos fortes de oração, mas sem assumir o compromisso do
anúncio. Contudo, o Espírito Santo não é dado para alimentar uma
espiritualidade fechada e intimista, ele é dado para o testemunho.
As leituras de hoje revelam não
apenas a vinda do Espírito, mas sobretudo aquilo que Ele realiza: transforma
homens fechados pelo medo em testemunhas enviadas ao mundo. Mas há ainda outro
detalhe muito profundo: Jesus concede aos discípulos o poder do perdão: “A quem
perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados” (Jo 20,23). Pentecostes é
perdão!
A missão da Igreja é reconciliar: o
Espírito Santo não cria uma comunidade de condenação, mas de misericórdia. Uma
Igreja cheia do Espírito não é marcada pela dureza, mas pela capacidade de
curar, restaurar e reconciliar os homens com Deus. Às vezes pensamos
Pentecostes apenas como algo extraordinário, cheio de sinais visíveis, mas o
grande milagre de Pentecostes é interior: missão e perdão. Assim, a Igreja não
cresce apenas por estruturas, projetos ou métodos. Ela cresce quando homens e
mulheres inflamados pelo Espírito testemunham Jesus com autenticidade. Os
santos e santas entenderam isso profundamente, pois, foram homens e mulheres de
Pentecostes: não guardaram o Evangelho para si, mas gastaram suas vidas pelo
Reino! Em outras palavras, foram presença viva do Espírito no mundo!
Portanto, nesta solenidade,
precisamos pedir uma graça muito concreta:
que o Espírito Santo tire de nós todo comodismo espiritual.
Assim seja. Amém!

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