Pular para o conteúdo principal

10º DOMINGO DO TEMPO COMUM | Reflexão

 

10º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | Reflexão

Por: Seminarista Luis Gustavo da Silva Joaquim

Os 6,3-6 | Sl 49(50),1.8.12-13.14-15 (R. 23b) | Rm 4,18-25 | Mt 9,9-13

 

Queridos irmãos e irmãs, neste domingo somos chamados a experimentar a misericórdia de Deus, nos apresentada concretamente através de Jesus Cristo por ação do Espírito Santo.

O Evangelho mostra Jesus passando diante da coletoria de impostos e chamando Mateus. É impressionante a simplicidade da cena: Jesus não faz um discurso e nem exige primeiro uma reforma moral. Apenas diz: “Segue-me” (Mt 9,9), e Mateus se levanta e vai.

Na cultura religiosa daquele tempo, um publicano era alguém praticamente excluído da comunhão religiosa. Era considerado pecador público, colaborador do poder romano, alguém indigno de estima e traidor do povo. Contudo, Jesus vê nele algo que ninguém mais vê. Os fariseus olham para Mateus e enxergam um pecador, ao passo que Jesus olha para Mateus e enxerga um discípulo.

Esta é a verdade fundamental do Evangelho: Deus não ama as pessoas porque elas são santas; elas se tornam santas porque Deus as ama. Ora, a iniciativa sempre parte da graça de Deus.

A fé cristã não nasce da autossuficiência moral, mas nasce do encontro com uma misericórdia que nos precede. Por isso Jesus responde aos fariseus: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes” (Mt 9,12).

Isso significa que a Igreja não é uma assembleia de perfeitos, mas é uma comunidade de pecadores alcançados pela graça de Deus! O hospital não existe para os saudáveis; existe para os enfermos. Da mesma forma, Cristo veio precisamente para aqueles que reconhecem a própria necessidade de salvação.

O grande problema dos fariseus não era o pecado, mas a incapacidade de reconhecê-lo. O pecador pode converter-se. O orgulhoso, porém, fecha-se à misericórdia porque acredita não precisar dela. Santo Agostinho dizia que há dois caminhos para perder-se: pelo vício e pela soberba. E, muitas vezes, a soberba religiosa é mais perigosa, porque se esconde sob aparência de virtude.

Em seguida, encontramos o centro do texto bíblico: “Ide aprender o que significa: Quero misericórdia e não sacrifício” (Mt 9,13). Jesus cita o profeta Oseias, na primeira leitura (Os 6,6). No contexto de Oseias, o povo continuava oferecendo sacrifícios no templo, mas sua fidelidade à aliança era superficial. O termo hebraico empregado pelo profeta é hesed, palavra de difícil tradução, que significa amor fiel, misericórdia, lealdade da aliança.

Quando Deus diz: “Quero misericórdia e não sacrifício”, não está abolindo o culto; o que ele rejeita é um culto vazio, desconectado da vida. Assim, o verdadeiro culto nasce de um coração transformado pelo amor. Em outras palavras, Jesus é o rosto da misericórdia do Pai e, portanto, precisamos também testemunhar essa misericórdia entre nós. Nunca nos esqueçamos que a medida da autenticidade de nossa fé continuará sendo aquela ensinada por Oseias e confirmada por Cristo: não a quantidade de nossos sacrifícios, mas a profundidade de nossa misericórdia.

Enfim, toda vez que nos aproximamos da Eucaristia, repetimos a experiência de Mateus. Também nós somos vistos pelo olhar de Jesus. Também nós ouvimos novamente o seu chamado. Também nós somos convidados a nos levantar e segui-lo porque eterna é a sua misericórdia.

Assim seja. Amém!

 

 

 

Comentários