11º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A |
reflexão
Por: Seminarista Luis Gustavo da
Silva Joaquim
Ex 19,2-6ª | Sl 99(100),2.3.5 (R. 3c) | Rm 5,6-11 | Mt 9,36-10,8
Amadas irmãs e irmãos, graça e paz! O
Evangelho deste fim de semana nos apresenta um momento decisivo da missão de
Jesus: Depois de contemplar a multidão “cansada e abatida, como ovelhas sem
pastor” (Mt 9,36), o Senhor chama os Doze pelo nome e lhes confia a missão de
anunciar a proximidade do Reino de Deus.
Se na antiga Aliança, Deus havia
constituído seu povo por meio das doze tribos de Israel, agora, na nova e
definitiva Aliança, Jesus inaugura o novo Israel ao escolher doze apóstolos.
Não se trata de um número qualquer, mas de um sinal de continuidade e
plenitude: Cristo não destrói a antiga eleição, mas a leva ao seu cumprimento.
O povo da promessa torna-se, agora, o povo messiânico, edificado sobre o
fundamento dos apóstolos e chamado a ser, verdadeiramente, um “reino de
sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19,6).
O evangelista faz questão de enumerar
o nome de cada um dos Doze. À primeira vista, essa lista pode parecer apenas um
registro histórico; no entanto, ela revela uma importante dimensão teológica: conhecer
o nome significa estabelecer uma relação pessoal. Deus não chama multidões
anônimas, mas pessoas concretas, com sua história, seus limites e suas
potencialidades. A vocação nunca é impessoal.
Ora, pelo Batismo, fomos incorporados
a esse povo apostólico e participamos da missão da Igreja. Nesse sentido, também
fomos eleitos, chamados pelo nome e enviados para anunciar o Reino de Deus.
Nossa vocação não nasce de uma iniciativa humana, mas da livre escolha de Deus,
que nos amou primeiro.
Antes mesmo de qualquer mérito ou
resposta de nossa parte, já éramos conhecidos e desejados por Ele. Isso nos
permite compreender que, para Deus, ninguém é apenas mais um na multidão.
Vivemos em uma sociedade marcada pelo anonimato, na qual frequentemente as
pessoas são reduzidas a números, estatísticas, perfis ou funções... Mas o olhar
de Cristo, porém, é diferente. Ele conhece cada pessoa em sua singularidade.
Costuma-se dizer que Deus ama a todos. Isso é verdadeiro, mas talvez seja ainda
mais significativo afirmar que Deus ama cada um, porque seu amor não é genérico
nem coletivo; é pessoal, concreto e irrepetível. Ele conhece nossa história,
nossas alegrias, nossas feridas, nossos medos e esperanças. Ama-nos pelo nome.
Essa perspectiva ilumina também o
sentido da existência humana. Não estamos neste mundo por acaso, nem somos
fruto de uma sucessão aleatória de acontecimentos. Nossa vida possui uma
finalidade inscrita pelo próprio Criador e Santo Inácio de Loyola exprime essa
verdade de maneira admirável no Princípio e Fundamento dos Exercícios
Espirituais: "O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus
Nosso Senhor e, assim, salvar a sua alma" (EE, 23).
Mas a eleição nunca é um privilégio
fechado em si mesmo. Toda vocação desemboca necessariamente na missão, pois, quem
experimenta o amor pessoal de Deus não pode guardá-lo para si, mas é enviado a
testemunhá-lo no mundo. Em um tempo marcado pela solidão, pela perda do sentido
da vida e pelo sentimento de invisibilidade que aflige tantas pessoas, talvez
uma das maiores missões da Igreja seja justamente revelar, com palavras e
gestos, que ninguém passa despercebido aos olhos de Deus; cada vida possui uma
dignidade infinita.
Cada existência é portadora de uma
vocação única e a missão da Igreja consiste em ajudar cada homem e cada mulher
a descobrir essa verdade capaz de “expulsar espíritos maus e curar todo tipo de
doença e enfermidade” (Mt 10,1). Talvez, a maior doença que possamos curar
neste mundo ferido é o da indiferença, do desprezo e do rancor.
Enfim, que nossas comunidades sejam
reconhecidas menos por suas estruturas e mais por sua capacidade de olhar as
multidões com os olhos de Cristo, de sofrer com suas dores, de anunciar o
Evangelho e de fazer ressoar, em meio às tantas feridas do nosso tempo, a certeza
de que Deus continua chamando, reconciliando e enviando homens e mulheres para
a grande messe do Reino.
Assim seja. Amém!

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