Santos Pedro e Paulo Apóstolos,
Solenidade | homilia
Por: Diácono Luis Gustavo da Silva
Joaquim
At 12,1-11 | Sl 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 5) | 2Tm 4,6-8.17-18 | Mt 16,13-19
Irmãs e irmãos! Na liturgia deste fim
de semana celebramos as grandes “colunas” da fé cristã: São Pedro e São Paulo.
Homens tão diferentes, mas tão iguais: um era pescador da Galileia; o outro,
intelectual formado aos pés de Gamaliel. Um conheceu Jesus nas margens do lago;
o outro, na estrada de Damasco. Um era impulsivo; o outro, estrategista. Um
escreveu pouco; o outro, muito.
A Igreja os celebra juntos porque a
unidade cristã não nasce da uniformidade, mas da comunhão. O Espírito Santo não
elimina as diferenças, mas transforma-as em riqueza para a missão. Nesse
sentido, existe uma antiga tradição que diz que, em Roma, caminhando para o
martírio, Pedro e Paulo seguiram caminhos diferentes, mas com o mesmo destino:
entregar a vida por aquele que primeiro entregou a vida por eles.
O Evangelho começa com uma pergunta:
“Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16,13). Jesus não está
interessado em uma pesquisa de opinião, mas quer conduzir os discípulos daquilo
que os outros dizem para aquilo que eles próprios experimentaram.
As respostas são variadas: João
Batista, Elias, Jeremias... todas figuras do passado. Mas vem a pergunta
decisiva: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15). Ora, toda vida cristã
depende da resposta a essa pergunta. Não basta repetir fórmulas aprendidas na
catequese ou tradições herdadas da família, pois a fé nasce quando Cristo deixa
de ser um personagem da história e se torna o Senhor da nossa história.
Depois da profissão de fé sincera e
profunda de Pedro, Jesus lhe confia uma missão: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18). É
curioso pensar que essa declaração é feita a um homem que, pouco tempo depois,
negará Jesus três vezes. Isso nos mostra que Pedro não é escolhido porque é
perfeito; ele é escolhido porque, apesar de suas fraquezas, permite que a graça
de Deus seja maior que seus medos. Essa é uma das maiores lições da solenidade
de hoje! A Igreja não foi construída sobre homens impecáveis, mas sobre homens
transformados pela misericórdia. Pedro caiu, chorou, converteu-se e recomeçou.
Portanto, a autoridade na Igreja não nasce do poder, mas da experiência do
perdão.
Jesus entrega a Pedro as chaves. Na
linguagem bíblica, as chaves representam responsabilidade, serviço e cuidado da
casa, haja vista que, quem possui as chaves abre portas. Infelizmente, às vezes
pensamos a Igreja como um lugar que fecha, exclui e condena. No entanto, Pedro
recebe as chaves para que ninguém fique do lado de fora da misericórdia de
Deus. Toda autoridade eclesial só é autêntica quando abre caminhos para a
graça, reconcilia os pecadores, fortalece os fracos e confirma os irmãos na fé.
As chaves não servem para criar donos do Reino, mas sim servidores!
Se por um lado, Pedro nos ensina que
Deus pode transformar a fragilidade em firmeza; por outro, Paulo nos ensina que
nenhuma existência é pequena quando é totalmente oferecida ao Evangelho. No fim
de sua vida ele é capaz de afirmar: “o Senhor esteve a meu lado e me deu
forças” (2Tm 4,17). O apóstolo não diz que Deus o livrou do sofrimento, mas
sabe que será martirizado e por isso afirma que Deus lhe deu força para
permanecer fiel. Essa é uma das grandes diferenças entre o otimismo humano e a
esperança cristã: o otimismo depende das circunstâncias, já a esperança depende
exclusivamente da presença de Deus. Também em nossa vida cristã, quando todos
parecem ir embora, Deus permanece nos dando forças para continuar.
Enfim, celebrar São Pedro e São Paulo
é renovar em nós duas perguntas: quem é Jesus para mim? E estou disposto a
segui-lo até as últimas consequências? Que a intercessão dos santos apóstolos
nos conceda uma fé como a de Pedro, capaz de confessar Cristo, e um coração
como o de Paulo, capaz de gastar a vida inteira pelo Evangelho.
Assim seja. Amém!

Comentários
Postar um comentário