15º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia
Por: Diácono Luis Gustavo da Silva
Joaquim
Is 55,10-11 | Sl 64(65),10.11.12-13.14 (R. Lc 8,8) | Rm 8,18-23 | Mt 13,1-23
Irmãs e irmãos! Há uma pergunta
silenciosa que atravessa o coração de todo discípulo: por que a Palavra de
Deus, sendo tão poderosa, parece produzir tão poucos frutos? Escutamos o
Evangelho todos os domingos, lemos a bíblia, rezamos, celebramos os
sacramentos... e, no entanto, continuamos vendo tanta dureza de coração, violência,
divisões etc. É justamente essa inquietação que une as leituras deste domingo.
O profeta Isaías utiliza uma das
imagens mais belas de toda a Escritura: “Assim como a chuva e a neve descem do
céu [...] assim a palavra que sair de minha boca...” (Is 55,10.11). Ora, a Palavra
de Deus nunca é estéril: ela tem uma dimensão performática, isto é, ela realiza
aquilo que significa. Em outras palavras, Deus é aquele que fala e faz! Tanto é
verdade que toda a criação passou a existir por meio de sua Palavra. Assim, toda
vez que a Escritura é proclamada na liturgia, não estamos apenas recordando
algo do passado, mas Deus continua falando hoje. A liturgia não é uma encenação
da história da salvação; ela é o lugar onde a história da salvação acontece
novamente.
Mas o profeta também sabe que existe
um tempo entre a chuva e a colheita. A chuva cai imediatamente, enquanto o fruto
vem depois. Ou seja, entre uma coisa e outra existe o trabalho silencioso da
terra! É exatamente aí que Jesus entra com a parábola do semeador, no Evangelho.
O centro da parábola contada por Jesus não é o terreno e nem o a semente, mas o
SEMEADOR.
Ora, nenhum agricultor sensato
desperdiçaria sementes na estrada, entre pedras ou espinhos. Mas aí que está a
generosidade de Deus: a graça nunca é distribuída por merecimento, mas é
oferecida abundantemente a todos. Santo Agostinho dizia que “Deus ama antes que
o homem seja digno de ser amado”. O modo de Deus agir é este, pacientemente.
Portanto, é ele mesmo o semeador da nossa vida, isto é, do terreno do nosso
coração.
Desse modo, os quatro terrenos não
são pessoas diferentes, mas são quatro posturas presentes em nós. Há momentos
em que nosso coração é o caminho onde a Palavra nem chega a entrar porque vivemos
distraídos, acelerados, saturados de informações. Outras vezes somos terreno
pedregoso que recebe a Palavra com entusiasmo, faz promessas, começa projetos,
mas falta profundidade de modo que, quando chega a provação, tudo seca.
Também podemos ser um terreno cheio
de espinhos, que são tantas preocupações da vida e a sedução das riquezas. As
vezes os espinhos são excessos: de trabalho, de celular, de ruído, de medo, de
decepções... O coração fica tão ocupado que Deus já não encontra espaço. Por
fim existe a terra boa: não uma terra perfeita, mas DISPONÍVEL. Este terreno
escuta, compreende, vive e produz.
Isto é o que Deus quer de nós, por
isso que o Evangelho termina com essa promessa na terra boa e disponível: ela é
capaz de produzir trinta, sessenta e até cem por um. Trata-se de um número
praticamente impossível na agricultura da Palestina. Jesus usa uma imagem de
superabundância para dizer que, quando a Palavra encontra um coração
disponível, os frutos ultrapassam toda expectativa humana. Vivemos numa cultura
que quer resultados imediatos, mas o Reino de Deus trabalha em ritmo agrícola.
Esta é a grande lição da parábola contada por Jesus.
Enfim, o profeta Isaías fala da
chuva, ao passo que Jesus fala do terreno que recebe a semente. Portanto, tudo
gira em torno da mesma imagem: o coração humano é uma terra onde Deus é o
semeador paciente e amoroso. Que, ao nos aproximarmos do altar neste domingo –
Dia do Senhor –, peçamos a graça de não sermos apenas ouvintes da Palavra, mas
terra boa; pois quem acolhe Cristo no coração torna-se, pouco a pouco, uma boa
notícia para o mundo e um sinal da colheita definitiva que Deus prepara para
toda a criação.
Assim seja. Amém!

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