16º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia
Por: Diácono Luis Gustavo da Silva
Joaquim
Sb 12,13.16-19 | Sl 85(86),5-6.9-10.15-16ab (R. 5a) | Rm 8,26-27 | Mt 13,24-43
Irmãs e irmãos! Vez ou outra já nos perguntamos
sobre o porquê Deus permite que o mal exista. Ora, se ele é bom, por que há
tanta injustiça? Se ele é poderoso, por que não elimina imediatamente aquilo
que destrói a vida? Trata-se de uma das nossas inquietações humanas mais
profundas. A liturgia deste fim de semana caminha por esta meditação, mas sem
fórmulas mágicas e respostas prontas.
Como sabemos, o capítulo 13 de São
Mateus é conhecido como o “discurso das parábolas”. Na parábola agrícola do
Evangelho deste fim de semana, Jesus fala de um terreno que tem joio e trigo
plantados. O problema dos empregados não é identificar o joio que está à vista,
mas sim na forma como querem resolver a situação. Para eles, o joio precisa
desaparecer imediatamente. Não se trata apenas de uma história sobre
agricultura, mas é uma revelação sobre o modo como Deus conduz a história da
salvação.
É interessante perceber que, na
parábola, o dono do campo não nega a existência do mal. Ele não faz de conta
que o joio não existe e, também não diz que tudo é igual. O joio continua sendo
joio, mas existe algo mais importante do que eliminar rapidamente o mal:
preservar o trigo. Quantas vezes por conta dos maus, nós deixamos valores de
lado e nos tornamos iguais ou piores? Precisamos aprender com a pedagogia de
Deus que preservar o trigo, isto é, o que há de bom em nós é tão importante
quanto eliminar o joio, isto é, o mal.
Às vezes, nossa preocupação é tão
grande em condenar o erro dos outros que acabamos ferindo justamente aqueles
que Deus deseja salvar. Tanto é verdade que há pessoas que passam a vida
inteira classificando quem presta e quem não presta; mas esse nunca foi o
trabalho do discípulo.
O fato é que nós temos pressa em
julgar, ao passo que Deus tem paciência para salvar! Porém, costumamos ler essa
parábola pensando nos outros: Quem é o joio? Quem é o trigo? Mas Santo
Agostinho propõe uma leitura ainda mais profunda: O campo também somos nós, ou
seja, dentro de cada pessoa convivem desejos de santidade e inclinações ao
pecado.
A conversão não acontece arrancando
violentamente tudo aquilo que ainda é frágil. Ela acontece permitindo que a
graça fortaleça o trigo até que ele seja capaz de vencer o joio. Por isso Deus
é paciente conosco e conhece processos.
A segunda leitura oferece uma chave
belíssima para compreender essa espera de Deus. O apóstolo Paulo diz que “O
Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza” (Rm 8,26). Quantas vezes queremos
mudar e não conseguimos; queremos rezar e não encontramos palavras; ou queremos
perdoar e o coração continua fechado... Enquanto esperamos o tempo da colheita,
o Espírito continua trabalhando dentro de nós. Esta é a paciência de Deus e não
um abandono!
Desse modo, no fundo, a parábola não
é tanto uma explicação sobre o mal, mas sim uma revelação sobre a misericórdia
divina: o escândalo do Evangelho não é que exista joio no campo, mas que Deus
continue acreditando na possibilidade de o trigo amadurecer. Aprendamos isto!
Enfim, peçamos a graça de possuir um
coração semelhante ao do Pai: firme diante do mal, mas paciente com as pessoas;
decidido na verdade, mas transbordante de misericórdia; capaz de esperar em
Deus, porque sabe que a graça do Espírito pode transformar até o campo árido em
uma abundante colheita para o Reino.
Assim seja. Amém!

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