17º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia
Por: Diácono Luis Gustavo da Silva
Joaquim
1Rs 3,5.7-12 | Sl
118(119),57.72.76-77.127-128.129-130 (R. 97a) | Rm 8,28-30 | Mt 13,44-52
Irmãs e irmãos! Se pudéssemos pedir
qualquer coisa a Deus, o que pediríamos? Salomão, na primeira leitura, inicia o
seu reinado. Contudo, ele chega ao trono consciente de sua limitação, tanto que
diz: “eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar” (1Rs
3,7). Diante dessa realidade, enquanto muitos reis pediriam força militar,
riqueza ou longa vida, ele pediu a Deus o dom da sabedoria para governar bem.
Mas sabedoria não significa conhecimento intelectual, e sim a capacidade de olhar
a realidade com os olhos de Deus. Somente quem tem um coração dócil à vontade
de Deus é capaz de encontrar um grande tesouro, como nos aponta o Evangelho.
No Evangelho deste fim de semana
encerramos o chamado “Discurso das Parábolas” do capítulo 13 de São Mateus. Hoje,
Jesus apresenta três pequenas parábolas: o tesouro escondido, a pérola preciosa
e a rede lançada ao mar. Foquemos nosso olhar para a primeira pequena parábola,
que carrega precioso ensinamento para a nossa vida cristã.
Na Palestina antiga era comum
esconder riquezas debaixo da terra durante guerras ou invasões, até porque não
existiam bancos, e muitos enterravam seus bens esperando recuperá-los depois.
Acontece que, às vezes, os donos morriam antes de voltar, e então o tesouro
permanecia escondido durante anos.
Jesus, como sempre, parte de uma
realidade conhecida para revelar um mistério. Sendo assim, o detalhe mais
importante da parábola não é o homem nem o campo, mas sim o tesouro. Ora, o
homem da parábola o encontra inesperadamente e, “cheio de alegria, vende tudo”
(Mt 13,44). Ele vende tudo justamente porque encontrou algo infinitamente
maior. Aqui está um detalhe que frequentemente nos esquecemos: o compromisso
com o Reino sempre começa pela alegria e depois exige renúncia! Quem encontrou
Cristo não perde, mas troca o menor pelo maior.
Desse modo, podemos nos perguntar: o
que é, pois, o tesouro? A resposta imediata seria dizer que é o Reino dos Céus.
E de fato, o é. Mas precisamos aprofundar a partir do Evangelho desta liturgia.
Para São Mateus, o Reino não é um lugar para onde iremos depois da morte, mas é
a própria presença de Deus que entrou na história através de Jesus Cristo. Em
outras palavras, o tesouro escondido é o próprio Cristo, afinal de contas, o
Reino não existe separado do Rei. Portanto, encontrar o Reino significa,
necessariamente, encontrar Jesus!
E onde se encontra esse Deus
escondido? Na simplicidade, do pobre, no amor, na Palavra, na Eucaristia... O
problema é que frequentemente esperamos encontrar Deus apenas no
extraordinário. É exatamente isso que ensina a espiritualidade inaciana: procurar
e encontrar Deus em todas as coisas. O mundo não é um obstáculo para Deus; pode
tornar-se o lugar onde Ele se deixa encontrar por quem tem um coração atento.
Irmãos e irmãs, o Reino está
escondido dentro de nós, mas permanece coberto pela terra das preocupações, dos
pecados, dos medos e das distrações. Jesus responderá em outro momento: “Onde
está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6,21). Aquilo que ocupa
nossos pensamentos, nossos afetos, nosso tempo e nossas preocupações revela
onde está nosso verdadeiro tesouro.
Peçamos, pois, a graça de Salomão: um
coração cheio de sabedoria, capaz de perceber que o tesouro continua escondido
no campo da nossa vida diária, na Palavra proclamada, na Eucaristia, nos
pobres, nos acontecimentos simples de cada dia. E que, ao encontrarmos Cristo,
tenhamos a mesma alegria daquele homem da parábola: a alegria de quem
finalmente descobriu que existe algo (ou melhor, Alguém) por quem vale a pena
entregar toda a vida.
Assim seja. Amém!

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