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22º DOMINGO DO TEMPO COMUM | Homilia

 

22º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia

Por: Diácono Luis Gustavo da Silva Joaquim

Jr 20,7-9 | Sl 62(63),2.3-4.5-6.8-9 (R. 2b) | Rm 12,1-2 | Mt 16,21-27



Irmãs e irmãos! Se na semana passada falávamos sobre a identidade de Cristo e, consequentemente a nossa de discípulos de Cristo, neste fim de semana a liturgia nos pergunta, portanto: que tipo de discípulos queremos ser? Em outras palavras, não basta admirar Jesus; não basta gostar do Evangelho; não basta reconhecer que Cristo é o Messias... É preciso acolher o caminho que ele escolheu para cada um de nós.

Jeremias, na primeira leitura, foi chamado por Deus, mas, em determinado momento, a missão tornou-se pesada. Há momentos em que aquele que ama a Deus também se cansa. Há momentos em que o sacerdote, o diácono, o religioso, o catequista, o missionário, o pai e a mãe de família podem dizer: “Senhor, está pesado”. E isso não significa necessariamente falta de fé, porque nesses momentos de noites escuras é que somos convidados a reconhecer a presença amorosa de Deus para que permaneçamos fiéis. Precisamos aprender com o profeta a rezar: “Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder” (Is 20,7).

É nesse mesmo contexto que podemos compreender o Evangelho desta liturgia: Pedro acabara de fazer uma das mais belas profissões de fé: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Jesus, porém, começa a explicar que tipo de Messias ele é, ou seja, fala de sofrimento, rejeição, morte e ressurreição. E Pedro rejeita a proposta, a ponto de repreender o Senhor (Mt 16,22). Humanamente, podemos compreender o apóstolo, porque ele ama Jesus e não quer vê-lo sofrer. Nós também não queremos ver o sofrimento de quem amamos.

No entanto, ao tomar esta atitude, Pedro perde o seu papel de discípulo, pois deseja que Jesus faça. Tanto que Jesus o diz: “Vai para longe, satanás!” (Mt 16,23). Como é possível que aquele que Jesus acabou de chamar de “feliz” seja agora chamado de “satanás”? A palavra “satanás”, no grego, significa adversário, aquele que se coloca no caminho como uma pedra de tropeço. Justamente aquele que há pouco foi chamado de pedra para edificar a Igreja, agora é pedra de tropeço. Não parece um tipo comum de oração feita por nós? Quantas vezes, em nossa caminhada cristã, queremos dar ordens a Deus para que ele faça as coisas exatamente como nós queremos? Assim, nós podemos ser pedras para edificar e construir, mas também podemos ser pedra que atrapalha o caminho dos irmãos e irmãs; tudo depende da nossa relação com a vontade de Deus.

Paulo, na segunda leitura, nos oferece uma chave extraordinária para compreender tudo isso: “Oferecei os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12,1). Ora, o verdadeiro culto cristão não acontece somente dentro do templo nem tampouco somente quando as coisas saem como desejado, mas a própria existência deve se transformar em oferta agradável a Deus, em todas as circunstâncias. Em outras palavras, o altar cristão continua sendo necessário, de modo que a Eucaristia continua sendo o centro da vida da Igreja. No entanto, aquilo que celebramos no altar precisa transformar aquilo que fazemos fora dele. Assim, depois de participar da Eucaristia, somos enviados para viver aquilo que celebramos!

Talvez esta Palavra de Deus encontre hoje alguém que está cansado; alguém que, como Jeremias, esteja dizendo: “Senhor, eu não consigo mais” ou alguém que, como Pedro, esteja dizendo: “Senhor, não queremos sofrer”. Talvez alguém esteja atravessando uma crise na própria vocação, um casal esteja cansado de lutar, um pai ou uma mãe esteja cansado de tentar acertar, um catequista esteja cansado de servir sem reconhecimento etc. Mas a Palavra de Deus não quer romantizar a dor, mas aponta para algo mais profundo: nos ensina a não confundir o peso da cruz com a ausência de Deus.

Aprendamos, pois, a oferecer toda a vida em sacrifício agradável ao Senhor e, para isto, peçamos a graça de reconhecer Jesus não apenas como o Messias que queremos, mas como o Messias que Deus revelou.

Assim seja. Amém!

 

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