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23º DOMINGO DO TEMPO COMUM | Homilia

 

23º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia

Por: Diácono Luis Gustavo da Silva Joaquim

Ez 33,7-9 | Sl 94(95),1-2.6-7.8-9 (R. 8) | Rm 13,8-10 | Mt 18,15-20

 

Irmãs e irmãos! A primeira leitura nos apresenta uma imagem muito bonita e, ao mesmo tempo, muito exigente: Deus diz ao profeta Ezequiel: “eu te estabeleci como vigia para a casa de Israel” (Ez 33,7). A sentinela/vigia é aquela que permanece atenta, que percebe o perigo antes que ele alcance os outros. E, se ela vê o perigo e permanece em silêncio, torna-se responsável por aquilo que não anunciou. No entanto, a sentinela não é dona da cidade e nem controla as pessoas, mas sua missão é vigiar e alertar. Uma coisa é necessária recordar e a liturgia deste fim de semana vem justamente fazer isso: todos nós somos responsáveis uns pelos outros dentro da comunidade cristã.

Assim, Jesus ensina que “se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo” (Mt 18,15a). Ele não diz para expor, para contar aos outros ou para zombar da cara dele; mas sim para ir corrigi-lo em particular. Isso nos mostra o modo como devemos corrigir os irmãos: sempre com amor. Por isso, a finalidade da correção não é humilhar, vencer uma discussão ou provar que estamos certos. O próprio Jesus conclui: “se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão” (Mt 18,15b). Não ganhar a discussão, não ganhar uma disputa, não provar que estava certo, mas sim ganhar o irmão!

Há uma frase atribuída a São Francisco de Sales que diz: “verdade sem amor é só maldade”. Ora, quantas vezes, em nome de uma tal “verdade” que sabemos corremos o risco de ser ríspido com os outros, magoar quem amamos ou até mesmo ferir os sentimentos dos outros?! Até para corrigir alguém é preciso ter amor e empatia. Se um pai ou uma mãe não souber o jeito certo de corrigir seu filho vai acabar criando traumas desnecessários para ele. O mesmo aplica-se ao professor, ao chefe, ao líder religioso etc. Portanto, quando Jesus manda corrigir o irmão, ele não está nos dando uma autorização para sermos fiscais da vida alheia. Antes de corrigir alguém, deveríamos fazer uma pergunta muito séria: “Eu quero realmente o bem dessa pessoa?”.

O apóstolo Paulo ensina, na segunda leitura, que o amor é sempre o critério: “o amor é o cumprimento perfeito da Lei” (Rm 13,10); e o salmo repete: “não fecheis o coração”. Talvez essa seja a palavra que melhor resume toda a liturgia de hoje, porque um coração endurecido não consegue corrigir por amor, mas só sabe acusar. Um coração endurecido não consegue pedir perdão, só sabe se justificar.

Mas, vamos dar mais um passo nesta reflexão. Jesus, no Evangelho, não trata o pecado simplesmente como um problema individual justamente porque o pecado nunca é completamente privado. Ora, nós vivemos em relação, ou seja, aquilo que eu faço repercute nos outros; aquilo que deixo de fazer também.

A comunidade cristã é uma comunidade de pessoas que cuidam umas das outras. E isso é muito diferente da mentalidade contemporânea que nos ensina a cada um cuidar “do seu quadrado”, ao passo que o Evangelho responde: sim, cuide da sua vida, mas também cuide do seu irmão... Porque ninguém se salva sozinho!

A Igreja não é uma reunião de indivíduos que pensam cada um em sua própria salvação, mas é Corpo de Cristo. E se um membro erra, todos os membros do corpo sentem. Nesse sentido, o amor cristão gera responsabilidade. Cristo está no meio daqueles que desejam o bem uns dos outros, e por isso diz: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles” (Mt 18,20). Isso significa que a presença de Cristo na comunidade não depende de sermos muitos, mas de estarmos verdadeiramente reunidos em seu nome.

Irmãos e irmãs, num mundo marcado por polarizações, agressividade, cancelamentos e julgamentos instantâneos, a Igreja tem uma missão profética: tornar-se uma comunidade onde ninguém tenha medo da verdade, porque a verdade será sempre acompanhada pelo amor. Portanto, sejamos nós as testemunhas da verdade e do amor.

Assim seja. Amém!

 

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