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24º ODMINGO DO TEMPO COMUM | Homilia

 

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia

Por: Diácono Luis Gustavo da Silva Joaquim

Eclo 27,33-28,9 | Sl 102(103),1-2.3-4.9-10.11-12 (R. 8) | Rm 14,7-9 | Mt 18,21-35

Irmãs e irmãos! O que acontece quando uma ferida passa a governar o coração humano? Arrisco dizer que nos tornamos rancorosos, amargurados e vamos perdendo a capacidade de viver o que há de mais bonito em nossa humanidade: a liberdade interior. Nesse sentido, a liturgia deste fim de semana nos ajuda a curar estas feridas através do perdão.

O ser humano deseja que Deus perdoe suas próprias faltas, mas muitas vezes exige justiça rigorosa para as faltas dos outros. Este é um paradoxo da vida que a primeira leitura já nos alerta: quem vive na aliança com Deus precisa permitir que a misericórdia recebida dele reconfigure também as suas relações com os irmãos. Portanto, perdoar significa decidir não alimentar a vingança.

Acontece que, falar sobre perdão é fácil, assim como rezar o Pai-nosso e dizer “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos” também é fácil; difícil mesmo é perdoar quando a ofensa tem nome, rosto e história. Nesse sentido, Pedro nos representa no Evangelho quando faz uma pergunta que, na verdade, todos nós gostaríamos de fazer: “Senhor, até onde eu preciso perdoar?” (Mt 18,21). Nós queremos que tudo tenha limite, inclusive o perdão a ser oferecido... Mas em Deus, “a medida do amor é amar sem medidas” (Santo Agostinho), isto é, setenta vezes sete significa SEMPRE.

O perdão cristão deve partir do princípio de que o próprio Senhor é bondoso, compassivo e paciente (Sl 102), por isso, nos ama e nos perdoa sempre. A parábola que o Senhor conta nos mostra isto: o homem não conseguiu pagar, mas recebeu o perdão. A salvação é graça; vida nova é graça; perdão é graça. Mas o homem perdoado não aprendeu a perdoar. Isso para nos mostrar como é possível receber a graça de Deus e continuar vivendo como se a graça nunca tivesse acontecido. Antes de pensar na dívida do outro, Jesus nos convida a olhar para nossa própria dívida. Quantas vezes erramos? Quantas vezes fomos infiéis? Quantas vezes Deus nos deu uma nova oportunidade? A primeira atitude cristã não é apontar o dedo, mas cada um olhar para dentro de si.

O homem não é libertado porque conseguiu pagar, mas porque recebeu misericórdia. Essa é uma das grandes afirmações da teologia cristã: a salvação não é uma conquista humana; é dom da graça. A cruz é o lugar onde a misericórdia de Deus se manifesta de maneira definitiva. Assim, o pecado humano encontra a resposta de Deus não com uma vingança destruidora, mas com uma oferta de reconciliação, afinal de contas, Cristo morreu perdoando os seus algozes.

O apóstolo, na segunda leitura, estava escrevendo para uma comunidade na qual existiam divisões e julgamentos entre os irmãos. Alguns julgavam outros por questões de comida, dias e costumes. E Paulo recorda o essencial: “Ninguém vive para si mesmo” (Rm 14,7). Ora, em outras palavras, a vida cristã não pode ser construída em torno do meu ego, da minha vontade, da minha opinião e dos meus critérios. A comunidade cristã nasce quando descobrimos que pertencemos ao mesmo Senhor e, se pertencemos ao mesmo Senhor, aquilo que nos une é maior do que aquilo que nos divide.

Talvez alguém diga: “eu não consigo perdoar”. E talvez essa seja uma das orações mais honestas que possamos fazer... E Deus pode começar justamente aí. Porque perdoar não é simplesmente apertar um botão dentro de nós e deixar de sentir dor; há feridas que precisam de tempo, assim como há histórias que precisam ser colocadas diante de Deus muitas vezes. Mas sempre é possível pedir ou dar o perdão, com o auxílio do Senhor. Que o compassivo Deus nos ajude, hoje e sempre.

Assim seja. Amém!

 

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