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25º DOMINGO DO TEMPO COMUM | Homilia

 

25º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia

Por: Diácono Luis Gustavo da Silva Joaquim

Is 55,6-9 | Sl 144(145),2-3.8-9.17-18 (R. 18a) | Fl 1,20c-24.27ª | Mt 20,1-16a

Irmãs e irmãos! A liturgia deste fim de semana nos coloca diante de uma pergunta muito simples, mas profundamente exigente: o que estamos fazendo com o tempo que Deus nos dá? Sim, porque sabemos que ninguém “fica pra semente”... esta é a verdade mais existencial da vida.

O profeta Isaías, na primeira leitura, nos adverte: “Buscai o Senhor enquanto pode ser encontrado, invocai-o enquanto está perto” (Is 55,6). Há aqui um convite à urgência: não uma urgência desesperadora, como quem precisa correr contra o relógio, mas a consciência de que a vida é uma oportunidade que não se repete. Há momentos em que Deus passa pela nossa história, abre uma porta, oferece uma graça, coloca alguém em nosso caminho, desperta um chamado. E precisamos ter a coragem de responder enquanto é tempo.

Por isso que, no Evangelho, os trabalhadores são chamados em diferentes horas do dia. Uns começam cedo; outros, quase no final. E todos recebem a mesma generosidade do senhor da vinha. Jesus nos mostra que nunca é tarde demais para começar a viver de verdade. Talvez alguém tenha perdido anos, desperdiçado oportunidades, tomado caminhos errados. Ainda assim, Deus continua chamando: “Vai também tu para a minha vinha”. Por isso, aproveitar o tempo não significa simplesmente fazer muitas coisas, produzir mais ou preencher cada minuto da agenda. Significa encontrar o sentido ao tempo que recebemos. Há pessoas que vivem muitos anos, mas pouco viveram; e há pessoas que, em pouco tempo, aprenderam a amar profundamente.

É aqui que podemos recordar uma antiga expressão latina: “carpe diem”, que pode ser traduzida como “aproveita o dia”. A expressão nasceu no pensamento do poeta Horácio como um convite a não desperdiçar o presente. Mas, à luz da fé, podemos dar a ela um sentido ainda mais profundo, pois não se trata simplesmente de aproveitar o dia para satisfazer nossos desejos, mas de acolher o dia como dom de Deus e transformá-lo em oportunidade de amor.

Ora, o cristão também precisa aprender a “colher o dia”: colher a graça que Deus oferece hoje, acolher as pessoas que ele coloca em nosso caminho hoje, perdoar hoje, amar hoje, servir hoje. Porque a vida não acontece no ontem que já passou nem no amanhã que ainda não chegou. A vida acontece no presente que Deus nos entrega. O apóstolo Paulo, na segunda leitura, demonstra essa liberdade interior quando diz que deseja estar com Cristo, mas permanece porque sua presença ainda pode servir aos outros. Ele não está preocupado simplesmente com quanto tempo lhe resta, mas com aquilo que pode fazer com o tempo que lhe foi confiado.

Talvez esta seja uma boa pergunta para levarmos conosco: neste tempo precioso chamado HOJE que eu tenho, quem eu devo procurar? Quem eu devo perdoar? Que sonho devo retomar? Que chamado devo deixar de adiar? O salmo responsorial nos recorda: “O Senhor é muito bom para com todos”. Portanto, não desperdicemos a vida esperando o momento perfeito, mas o momento que temos é este: a graça que temos é esta! As pessoas que Deus colocou ao nosso lado são estas! E talvez a santidade consista justamente em transformar o tempo que passa em amor que permanece. Busquemos, pois, o Senhor enquanto ele está perto, trabalhemos na sua vinha enquanto é tempo, e façamos do hoje uma oportunidade de amar, servir e viver com sentido.

Assim seja. Amém!

 

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