28º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia
Por: Diácono Luis Gustavo da Silva
Joaquim
Is 25,6-10ª | Sl 22(23),1-3a.3b-4.5-6 (R. 6cd) | Fl 4,12-14.19-20 | Mt 22,1-14
Irmãs e irmãos! Deus nos convida para
um banquete. Percebamos como a refeição é preciosa para Jesus em suas parábolas
e, sobretudo, para falar sobre o Reino de Deus. Nós podemos conversar em muitos
lugares, podemos trabalhar juntos, caminhar juntos, viajar juntos. Mas quando
nos sentamos à mesa, acontece alguma coisa diferente: a mesa cria proximidade;
a refeição cria comunhão. Quem come conosco deixa de ser simplesmente alguém
que está ao nosso lado e passa a participar, de algum modo, da nossa vida. Não
raro, a bíblia utiliza tantas vezes a imagem da refeição para falar de Deus, da
salvação e do seu Reino.
É nesse sentido que o profeta, na
primeira leitura, não descreve a salvação como uma ideia abstrata, mas fala de comida,
bebida, festa, mesa, convivência; porque Deus salva preparando um banquete.
Isso significa que a salvação cristã não é isolamento, mas é comunhão. Ora, no
contexto bíblico sentar-se à mesa significava acolher, reconhecer, fazer parte.
Perguntemo-nos: quais são as nossas fomes? Há pessoas que possuem alimento,
dinheiro, conforto e tecnologia, mas não têm ninguém com quem repartir a vida. E
há pessoas que possuem muito pouco, mas quando colocam um pedaço de pão sobre a
mesa e chamam alguém para comer, experimentam uma alegria que o dinheiro não
consegue comprar. Porque a fome humana não é apenas biológica; é também
relacional, espiritual, de sentido e de amor.
O Evangelho ilumina esta reflexão. Jesus
está em Jerusalém, nos últimos dias antes da paixão. Desde Mt 21,23, há uma
série de confrontos com as autoridades religiosas. Nesta parábola de hoje, seus
ouvintes são justamente os sumos sacerdotes e anciãos do povo. Ele fala de um
rei que prepara um banquete para o casamento de seu filho e manda chamar os
empregados que rejeitaram o convite. Ora, a festa de casamento não é ocasional,
mas significa que o rei (Deus) quer estabelecer uma relação amorosa e fiel
conosco, como uma prefiguração do banquete nupcial que nos aguarda no fim dos
tempos. Deus quer firmar uma aliança conosco para que façamos parte da sua mesa,
da sua vida, da sua comunhão.
Meus irmãos e minhas irmãs, o Senhor
manda seus servos dizer “Tudo está pronto. Vinde para a festa!” (Mt 22,4), e
qual a nossa resposta? O convite é feito, mas muitos de nós rejeitamos como os
primeiros convidados. Mas o rei é tão bondoso que convida a todos! Manda que
chamem até os que estavam nas “encruzilhadas dos caminhos” (Mt 22,9). Para
participar do banquete do Senhor basta querer e acolher. Em pleno século XXI
nós não podemos mais ser uma Igreja que exclui e que seleciona, mas sim uma Igreja
que congrega e que acolhe, porque este é o desejo do Senhor.
Mas atenção! Sabemos pelo Evangelho
que “a sala ficou cheia de convidados” (Mt 22,10), porém não basta enchê-la, é
preciso que haja em nós o desejo de revestir-se da graça de Deus. Por isso o
dono da festa procurou quem estivesse com os trajes. O traje da festa significa
justamente a vida transformada pela graça de quem foi encontrado e chamado por
Deus. Porque “todos vós que fostes batizados em Cristo vos revestistes de
Cristo” (Gl 3,27). Ainda hoje é possível estar dentro da Igreja sem permitir
que o Evangelho entre dentro de nós. E esta é a crítica do evangelista nesta
liturgia!
Portanto, a parábola não é
originalmente uma explicação direta da Eucaristia, pois o seu sentido imediato
é o Reino e a resposta ao convite de Deus. Entretanto, dentro da totalidade da
fé cristã, a imagem do banquete encontra sua realização sacramental na
Eucaristia. Ouvimos frequentemente na Missa: “Felizes os convidados para a Ceia
do Senhor”... e nós somos, hoje, este povo convidado para este banquete, para
esta refeição. Mas, se eu recebo o Corpo de Cristo, estou aprendendo a ser
corpo de Cristo para os outros? Se recebo o pão partido, estou disposto a
repartir minha vida? Se Deus me coloca à mesa apesar das minhas fragilidades,
consigo deixar outros sentarem comigo apesar das fragilidades deles? Porque
essa é a lógica do Evangelho: a mesa que Deus prepara para nós torna-se a mesa
que somos chamados a preparar para os outros.
Assim seja. Amém!

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