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30º DOMINGO DO TEMPO COMUM | Homilia

 

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia

Por: Diácono Luis Gustavo da Silva Joaquim

Ex 22,20-26 | Sl 17(18),2-3a.3bc-4.47.51ab (R. 2) | 1Ts 1,5c-10 | Mt 22,34-40

Irmãs e irmãos! O amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis e constituem o fundamento de toda a nossa vida. Não se trata apenas de cumprir mandamentos, observar preceitos ou realizar práticas religiosas, mas trata-se de permitir que o amor de Deus transforme o nosso modo de viver, de olhar as pessoas e de construir nossas relações.

No Evangelho desta liturgia os fariseus continuam tentando capturar Jesus. Tanto é verdade que um deles faz uma pergunta capciosa sobre qual seria o maior dos mandamentos, justamente para pô-lo a prova. Recordamos que, naquele tempo, o decálogo tinha sido transformado em 613 normas (248 mandamentos e 365 proibições).

Diante da pergunta dos fariseus Jesus responde: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mt 22,37). Ora, ele retoma o texto de Dt 6,5, e assim, emprega três expressões: “coração”, “alma” e “entendimento”. Não devemos entendê-las como se fossem compartimentos independentes da pessoa humana. Juntas, elas indicam a totalidade da existência. Amar a Deus de todo o coração significa orientar para Ele nossos desejos, afetos e decisões. Amá-lo com toda a alma significa entregar-lhe nossa vida. Amá-lo com todo o entendimento significa também colocar nossa inteligência, nossos pensamentos e nossa capacidade de discernimento a serviço da verdade.

Em outras palavras, Jesus nos ensina que Deus não deseja ocupar apenas uma parte da nossa vida. Ele não quer ser lembrado somente nas celebrações, procurado apenas nos momentos de sofrimento ou invocado quando precisamos de alguma coisa. Amar a Deus significa reconhecê-lo como o centro que dá unidade a toda a nossa existência.

Mas Jesus continua dizendo: “o segundo é semelhante a esse: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,39). Isto porque o amor a Deus e o amor ao próximo não são duas realidades concorrentes, como se precisássemos escolher entre dedicar tempo à oração ou cuidar das pessoas. São dimensões inseparáveis de uma única experiência de fé. O próximo não é simplesmente aquele de quem gostamos, quem pensa como nós, quem compartilha nossa fé ou quem pode nos oferecer alguma vantagem. O próximo é a pessoa cuja dignidade nos interpela e diante de quem somos chamados a assumir uma responsabilidade.

Irmãos e irmãs, a Palavra deste domingo nos convida a examinar a qualidade de nossa vida cristã. Talvez nossa pergunta não deva ser apenas: “Quantos mandamentos conheço?”, “Quantas orações faço?” ou “Quantas vezes participo da Igreja?”. Precisamos perguntar também: “As pessoas encontram em mim sinais do amor de Deus?”.

Em casa, amar significa aprender a escutar, a reconhecer os próprios erros e a não transformar as pessoas mais próximas em alvos de nossa impaciência. Na comunidade, amar significa trabalhar pela unidade sem encobrir a verdade, valorizar os dons dos outros e servir sem fazer da pastoral um espaço de competição. Na sociedade, amar significa não permanecer indiferente diante da injustiça, da fome, da exclusão e da violência. Nas redes sociais, amar significa recordar que do outro lado da tela existe uma pessoa. Uma palavra publicada em poucos segundos pode ferir profundamente alguém. A liberdade de expressão não elimina a responsabilidade moral pelo que comunicamos.

Enfim, a santidade não consiste em falar muito sobre o amor, mas em deixar que o amor de Deus alcance as pessoas por meio de nós. Que ao final de cada dia, possamos reconhecer que nossa vida, apesar das limitações e fragilidades, foi um pouco mais parecida com a de Jesus: uma vida entregue a Deus e oferecida aos irmãos.

Assim seja. Amém!

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