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26º DOMINGO DO TEMPO COMUM | Homilia

 

26º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia

Por: Diácono Luis Gustavo da Silva Joaquim

Ez 18,25-28 | Sl 24,4bc-5.6-7.8-9 (R. 6a) | Fl 2,1-11 | Mt 21,28-32

Irmãs e irmãos! Seria ousadia afirmar que Deus está à disposição da humanidade? Penso que não. Quando olhamos para a nossa vida, nossas escolhas e tomadas de decisões, nos apercebemos que colhemos justamente aquilo que plantamos. Ora, sendo assim, tanto a condenação quanto a salvação não dependem de Deus, e sim de cada um de nós. Nesse sentido, a liturgia desse fim de semana nos ajuda a meditar sobre a disponibilidade humana para acolher e assumir o caminho de bondade e justiça de Deus, independente da história de vida de cada um.

Deus não muda. Mas os seres humanos sim. Esta é a lógica do evangelho: quem se arrepende de seus pecados e passa a caminhar com Cristo será acolhido pelo Pai; mas quem se afasta de Cristo automaticamente escolhe o caminho do mal. Jesus, nesse sentido, escandaliza os ouvintes de sua época (também nós, ainda hoje) ao afirmar que “os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus” (Mt 21,31). Todos são passíveis de mudança! Nós temos uma tendência muito forte de definir as pessoas pelo passado: “Eu conheço aquele sujeito...”, “Ele sempre foi assim...”, “Ela nunca vai mudar...”. Às vezes, transformamos um erro cometido em uma identidade permanente.

Na primeira leitura, do profeta Ezequiel, o povo está questionando a justiça de Deus, e ele responde: “Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida” (Ez 18,27). Em outras palavras, o passado existe; o pecado existiu, de modo que também as escolhas tiveram consequências. Contudo, o passado não possui a última palavra sobre a pessoa. Somos um processo, isto é, não podemos ser reduzidos àquilo que já fizemos, mas somos também aquilo que podemos nos tornar.

Vejamos as posturas dos dois filhos da parábola contada por Jesus. Não basta dizer ‘sim’ com os lábios mas continuar rejeitando as coisas de Deus no coração. O primeiro filho começou dizendo não, mas terminou dizendo sim, ao passo que o segundo começou dizendo sim, mas terminou vivendo não. Isso significa que, para Jesus, não basta observar o que uma pessoa disse em determinado momento. É preciso olhar para o caminho que ela percorreu! Ninguém é fruto do acaso, mas possui uma história cheia de curas e feridas.

É bonito observar o conselho dado pelo apóstolo, na segunda leitura: “Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus” (Fl 2,5). Assumir os mesmos sentimentos de Cristo é assumir a capacidade de sair de si mesmo, de não viver fechado no próprio ego, de colocar-se a serviço, de descer ao encontro do outro. Esse mesmo Cristo que “esvaziou-se de si mesmo” assumindo a condição de servo nos mostra a necessidade conversão. Porque, muitas vezes, nós queremos mudar sem sair de nós mesmos. Queremos que Deus mude as pessoas ao nosso redor, mas não queremos que Ele mexa em nossas próprias atitudes. Queremos que o outro peça perdão, mas temos dificuldade de reconhecer nossos erros. Queremos que o outro mude, mas permanecemos presos às mesmas mágoas, aos mesmos julgamentos e às mesmas certezas.

Enfim, talvez hoje Deus esteja nos fazendo três perguntas: Existe alguma área da minha vida em que eu preciso mudar de direção? Estou julgando alguém como se essa pessoa não pudesse mais mudar? Será que eu mesmo ainda acredito que Deus pode fazer algo novo em mim? Deus não desiste de trabalhar na história humana. Portanto, que o Senhor nos dê a humildade do primeiro filho para reconhecer quando dissermos “não”; mas sobretudo, que ele nos dê a coragem para voltar atrás e corrigir nossas atitudes. Assim, transformados, possamos aprender a olhar para cada pessoa não somente pelo que ela foi, mas também pela esperança daquilo que, em Cristo e pela graça, ela ainda pode se tornar.

Assim seja. Amém!

 

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