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29º DOMINGO DO TEMPO COMUM | Homilia

 

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM, Ano A | homilia

Por: Diácono Luis Gustavo da Silva Joaquim

Is 45,1.4-6 | Sl 95(96),1.2a.3.4-5.7-8.9-10a.c (R. 7ab) | 1Ts 1,1-5b | Mt 22,15-21

Irmãs e irmãos! a Palavra de Deus deste domingo nos coloca diante de uma questão fundamental para a vida de fé: a quem pertence a nossa vida? Qual é o lugar de Deus em nossas escolhas, em nossa consciência, em nossas responsabilidades sociais e em nossa maneira de viver no mundo?

O Evangelho de hoje é frequentemente recordado quando se fala da relação entre religião e política, entre Igreja e Estado, entre os deveres civis e os deveres religiosos. Entretanto, se ficarmos apenas nessa interpretação, corremos o risco de reduzir a profundidade da resposta de Jesus a uma espécie de divisão: uma parte da vida pertenceria a César e outra parte pertenceria a Deus. Vamos tentar dar um passo além disto!

Primeiro que dois grupos sem afinidade se unem para capturar Jesus: os herodianos e fariseus. Se Jesus respondesse que não se devia pagar o imposto, poderia ser acusado de oposição à autoridade romana, mas se respondesse o contrário, poderia ser acusado de compactuar com a dominação imperial. Mas Jesus percebe a maldade deles. Ora, em vez de ficar preso ao “pagar” e “não pagar”, Jesus pede a moeda e parte de algo concreto: ele conduz os interlocutores a refletirem a partir de suas próprias consciências. Jesus ali reconhece que há distinção entre César e Deus, mas reconhece também que há um limite entre o que é de Deus e o que é humano.

No ato da criação, no livro do Gênesis, o ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26-27) e, desse modo, se a imagem na moeda era a de César, dê a César; mas se nós somos a imagem de Deus, somos de Deus. Mais que uma questão econômica, o que significa entregar a Deus o que é de Deus? Sendo assim, o convite desta liturgia é para que nós reconheçamos que toda a nossa vida deve ser ofertada inteiramente a Deus: nossos dons, nossa liberdade, nossos afetos, enfim... tudo o que temos e somos!

A moeda traz a imagem de César, mas as nossas escolhas, nossas palavras, nossas atitudes revelam a imagem de quem? E isso não acontece somente nos grandes gestos, mas no modo como tratamos quem não nos pode oferecer nada em troca, no modo como usamos os recursos ou a influência que temos, na honestidade com que cumprimos nossas responsabilidades mesmo quando ninguém está vendo, na disposição de pedir e dar o perdão... Deus é capaz de utilizar-se das pessoas que menos imaginamos, justamente porque todos somos dele, isto é, imagens e semelhanças dele!

Olhemos a primeira leitura, na profecia de Isaías: o povo de Israel havia experimentado o exílio na Babilônia, a perda da terra, a destruição de Jerusalém e uma forte crise. e justamente nesse contexto surge a figura de Ciro, soberano persa que conquistou a Babilônia e cuja política permitiu o retorno de povos exilados às suas terras. Ciro não pertence ao povo de Israel e não é apresentado como alguém que conhece plenamente o Senhor. Mesmo assim, Deus pode agir por meio dele.

Essa verdade também interpela a Igreja. Por vezes, podemos imaginar que Deus somente age por meio de nossas estruturas, de nossos projetos pastorais, de nossas instituições ou daqueles que pensam como nós. Contudo, o Espírito de Deus é maior do que os limites de nossas previsões. Precisamos, portanto, de humildade para reconhecer os sinais da ação divina e de discernimento para não confundir a vontade de Deus com nossos interesses particulares.

Assim seja. Amém!

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