Pular para o conteúdo principal

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS | Homilia

 

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS, Ano A | homilia

Por: Diácono Luis Gustavo da Silva Joaquim

Ap 7,2-4.9-14 | Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6) | 1Jo 3,1-3 | Mt 5,1-12a

Irmãs e irmãos! A celebração litúrgica de todos os santos e santas de Deus significa para nós, cristãos católicos, que precisamos reconhecer a obra da graça divina na vida de homens e mulheres de todas as épocas e renovar nossa esperança de que também nós somos chamados a participar da vida eterna com Ele. Não celebramos apenas os santos canonizados pela Igreja, cujas imagens encontramos nos altares, mas celebramos também a multidão incontável de homens e mulheres que viveram na amizade com Deus e agora contemplam sua face, mesmo que seus nomes não sejam conhecidos publicamente.

Celebramos, pois, o chamado universal de Deus para nós: de sermos santos. Tanto é verdade que O Concílio Vaticano II, na constituição Lumen gentium, dedica o capítulo V à vocação universal à santidade. A Igreja ensina que todos os fiéis, independentemente de seu estado de vida, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Nesse sentido, a primeira leitura, do livro do Apocalipse, apresenta uma multidão imensa, de todas as nações, tribos, povos e línguas, diante do trono de Deus e do Cordeiro. Essa imagem revela algo essencial: a santidade não é privilégio de um grupo seleto, de pessoas extraordinárias ou de uma elite espiritual. A salvação de Deus é oferecida a todos os povos.

Na segunda leitura, São João afirma: “Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” (1Jo 3,1). Ora, a santidade nasce dessa identidade: somos filhos de Deus. Não somos chamados à santidade apenas porque precisamos cumprir determinadas normas religiosas, mas porque recebemos uma vida nova em Cristo.

Também o Evangelho desta solenidade nos apresenta as bem-aventuranças: assim como Moisés subiu ao monte para receber as tábuas da Lei, agora Jesus sobe o monte para proclamar a nova Lei. Nelas, Jesus não apresenta uma lista de pessoas famosas, poderosas ou bem-sucedidas segundo os critérios da sociedade, mas proclama que são felizes os pobres em espírito, os mansos, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz e os perseguidos por causa da justiça. As bem-aventuranças são como o retrato espiritual do próprio Cristo e, por isso, é um caminho espiritual para todo cristão que deseja a santidade.

Aqui encontramos uma importante provocação pastoral: talvez a sociedade considere felizes os que acumulam, dominam e aparecem; Jesus proclama felizes os que amam, servem, perdoam e permanecem fiéis. A solenidade de todos os santos nos convida a perguntar: segundo quais critérios estamos construindo nossa felicidade?

Bem-aventurança (em grego, makárioi - μακάριοι) é sinônimo de felicidade que, por sua vez, é sinônimo de santidade. Nossa tendência atual é terceirizar as culpas, ou seja, quando algo dá errado procuramos os culpados; e sempre nos outros. Mas notemos o início do Evangelho: “...os discípulos aproximaram-se” (Mt 5,1). Ora, multidões estão presentes no horizonte do discurso, mas são os discípulos quem se aproximam para receber o ensinamento. Se, verdadeiramente, queremos ser discípulos do Senhor, é preciso que deixemos todo tipo de egoísmo, autossuficiência e comodismo para aproximar-se dele e fazer esta experiência de amor, santidade e conversão. Somente enraizados nele é que aprenderemos a viver uma santidade concreta, coerente e discernida.

Enfim, celebrar todos os santos e santas de Deus é olhar para o céu sem fugir da terra: contemplar a meta eterna e, ao mesmo tempo, assumir com mais amor a missão que Deus nos confia hoje.

Assim seja. Amém!

Comentários