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Quinta-feira da Terceira Semana da Páscoa

  3ª SEMANA DA PÁSCOA At 8,26-40 | Sl 65(66),8-9.16-17.20 (R. 1) | Jo 6,44-51   A liturgia de domingo (III da Páscoa), por meio dos discípulos de Emaús, evidenciou para nós a realidade da Palavra e do sacramento (no caso, a Eucaristia). Hoje, na primeira leitura, ouvimos a conversão, pela Palavra e pelo batismo, do etíope, que, depois disso, “cheio de alegria, prossegue o seu caminho” (v. 39). Em suma, são as 3 etapas do caminho de salvação: escuta da Palavra, batismo e alegria renovada. Como temos escutado a Palavra? Como temos vivido nosso batismo? Que tipo de alegria temos vivido e anunciado? Algo semelhante se vê no evangelho de hoje: Jesus se auto-revela dizendo ser o pão da vida descido do céu. Assim, mais uma vez, aparece a realidade da Palavra e da Eucaristia. Interessante perceber como a Igreja coloca muitas vezes, nesse tempo pascal, a relação comensal de Jesus com seus discípulos. Tudo para apontar à realidade sacramental da Eucaristia que é “fonte e ápice d...

III Domingo da Páscoa | Reflexão

  III DOMINGO DA PÁSCOA| ANO A 23/04/2023 Queridos irmãos e irmãs, neste caminho pascal que fazemos com Jesus ressuscitado, somos convidados a ouvir e meditar o famoso evangelho que narra os dois discípulos no caminho de Emaús (Lc 24,13-35). Este, é o relato único nos evangelhos, de modo que, nenhum dos outros três, além de Lucas, narram o fato. Neste caminho que os dois discípulos fizeram, aproveitaram para partilharem das insatisfações, incompreensões e tristezas, pois, aquele em quem depositaram toda sua confiança já havia morrido no alto de uma cruz há três dias. Todo aquele projeto de instauração de um novo reino era por eles entendido como um reino terreno. Nesse contexto, Jesus coloca-se no meio deles. Essas intervenções de Jesus mediante as nossas incompreensões nem sempre acontecem de modo miraculoso ou esplêndido, mas também em pequenos gestos, como nesta passagem. Acontece que, espiritualmente, os discípulos estavam cegos porque não o reconheceram fisicamente, ma...

Jesus: aproximação histórica | Opinião

  JESUS: APROXIMAÇÃO HISTÓRICA PAGOLA, José Antonio. ISBN 978-85-326-4017-8 O padre José Antonio Pagola é um teólogo nascido em 1937, no País Basco (norte da Espanha). Estudou as Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, e também na École Biblique de Jerusalém. Produziu cerca de 20 livros, no entanto, existe um deles nas livrarias um tanto quanto polêmico e, concomitantemente, rico em conteúdo, de 656 páginas, chamado “Jesus: aproximação histórica”. Trata-se de um verdadeiro trabalho científico acerca de Jesus, e é sobre esta obra que me disponho a traçar breves comentários a seguir.             Em primeiro momento, é mister afirmar que o intuito deste livro, como o próprio autor coloca em sua apresentação, é de “se fazer conhecer a pessoa e a mensagem de Jesus” (p. 11). Ao mesmo tempo o teólogo exorta que, o modo de ler a obra, não deve ser como uma história bibliográfica de Jesus (p. 23). O fat...

II Domingo da Páscoa | Reflexão

  II DOMINGO DA PÁSCOA| ANO A “Domingo da Divina Misericórdia” 16/04/2023   Queridos irmãos e irmãs, ainda é Páscoa da Ressurreição do Senhor! Cristo venceu a morte, aleluia! Por ser Páscoa, continuamos ouvindo, na liturgia, textos de aparições de Jesus ressuscitado. No Evangelho de hoje (Jo 20, 19-31) fica claro como nós somos homens e mulheres desejosos da paz que vem de Deus. E Jesus, percebendo isso, depois de ressuscitado aparece aos discípulos e, por três vezes, deseja: “A paz esteja convosco” (v. 19. 21. 26). Ora, em tempos de ataques às escolas, altos índices de dengue, gente passando fome, desastres naturais etc, necessitamos de muita paz no coração para conseguirmos viver mediante tanta realidade de sofrimento e dor. Prova disso é que a paz que Jesus deseja aos discípulos é seguida do seu gesto de mostrar as marcas da cruz, porque, o fato de vivermos na paz não significa que as intempéries da vida desaparecerão. Do contrário: estar em paz significa estar em...

Deus se alegra com o sofrimento de seu filho Jesus?

  Estamos na oitava da Páscoa. Isso significa que terminamos, recentemente, de vivenciar a Semana Santa, em que pudemos contemplar a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Durante a sexta-feira da paixão, muitos de nós participamos do ato litúrgico da adoração da santa cruz. Disto, podemos perguntar (como já ouvi pessoas perguntando): Deus Pai quis que o seu Filho Jesus sofresse? Em outras palavras, Deus se alegra com o sofrimento do seu Filho? Se isto for verdade, ele é, sem dúvidas, um Deus do terror, do ódio, do sofrimento e não tem nada de bondoso nisso. Se, ao contrário, for mentira, então o que Jesus sofreu na cruz pela remissão dos nossos pecados foi um teatro. E aí, o que a teologia católica diz sobre isso? Em poucas palavras, é o que pretendo responder a seguir. Para início de conversa, engana-se quem diz por aí que Cristo foi morto pelos judeus. É fato que Jesus sofreu com a oposição dos judeus e que foi também por eles julgado e condenado pelo sinédrio. Todavia, não ...

A novidade da Semana Santa

  Como sabemos a Semana Santa, também conhecida por “semana maior”, é o centro da nossa fé, pois, nela celebramos a paixão, morte e ressurreição do Senhor. Tratar a Semana Santa como um fato social é bastante comum em nossa sociedade hoje: filmes e teatros relatando o episódio da crucifixão tomam conta da programação das mídias sociais. Muito é de se estranhar que, numa sociedade hedonista, cujo sofrimento é rejeitado, tenda a esses eventos. O grande perigo, no entanto, está naqueles cristãos que participam da sexta-feira da paixão, mas não voltam para o sábado da ressurreição. Isto deveria ser um escândalo! Basta observar o número de fieis que participam nestas celebrações... É preciso que rolemos a pedra do túmulo a fim de dizer como aquelas mulheres “Vimos o Senhor”. Trata-se de uma experiência de encontro, de amor, de eternidade. Assim, ressuscitaremos também para as mortes da vida cotidiana que cerca nossa família, nossa casa, nosso trabalho ou nosso estudo. Tudo tem sen...

V Domingo da Quaresma | Reflexão

  5º Domingo da Quaresma | Ano A 26/03/2023 Ez 37,12-14 | Sl 129(130),1-2.3-4ab.5-6.7-8 (R. cf. 7) | Rm 8,8-11 | Jo 11,1-45 Neste domingo, a Igreja continua seu caminho catecumenal, ou seja, a liturgia vai de encontro com a proposta de catequese preparatória para aqueles que receberão os sacramentos da iniciação cristã no dia da Páscoa do Senhor. Em nível de recapitulação, o terceiro domingo, tratava da água do batismo como fonte de vida; no quarto, o batismo como iluminação às cegueiras do pecado; e agora, a realidade da vida nova batismal, prefigurado pela reanimação de Lázaro. De várias coisas que podemos aprender com Jesus, destaco, de início, a capacidade de sentir. Ora, sabemos pela doutrina da “união hipostática” que Jesus é, ao mesmo tempo, Deus e homem. E uma condição não contradiz a outra, mas acompanha. Jesus, tendo amigos, sentiu a dor da perda a ponto de chorar pela morte de Lázaro. Mas o que deve nos chamar atenção é o fato de Jesus compreender a realidade, senti-...