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Mostrando postagens de 2022

A superação do Natal

--- A SUPERAÇÃO DO NATAL ---   “O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido” (Sl 34, 18)   Estamos caminhando para o fim do ano, e com ele, nos preparamos para celebrar o Natal do Senhor. Natal é luz; Natal é alegria; Natal é esperança. São afirmações otimistas e, talvez, um tanto quanto inapropriadas para se usar no findar deste ano de 2022. Apenas para pontuar, além das mais de 692 mil mortes por Covid-19 no Brasil, 9% da população brasileira está desempregada, a taxa de suicídios aumenta a cada dia, os crimes, acidentes e tragédias estão acima da média; famílias, política e grupos estão divididos etc. Ademais, a desigualdade social está mais expressiva que o comum: são famílias que não têm condições para comer o mínimo necessário, realidades sem saneamento básico, falta de acesso aos estudos básicos, bem como a precariedade de saúde pública.  Sendo assim, como poderemos cear em família, sendo que pode estar faltando al...

Ser catequista: vale a pena?

  A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bílico-Catequética apresentou no ano de 2021 um manual intitulado “Critérios e itinerários para a instituição do ministério de catequista”. Trata-se de um documento muito breve que pretende retomar o pedido do papa Francisco na Carta Apostólica em forma de Motu Proprio Antiquum Ministerium , do mesmo ano de 2021. Desse modo, de antemão, já podemos responder ao questionamento que dá nome a esta postagem: vale a pena ser catequista? Sim! Com toda certeza; justamente por este motivo, isto é, por valer a pena, que o Pontífice decidiu dar o devido reconhecimento ministerial aos catequistas, ou seja, os homens e mulheres que transmitem não somente a fé, mas a verdadeira experiência com o Senhor, poderão receber, em um rito específico, a instituição no ministério de catequista, impulsionando e potencializando a vocação que já realizam, com alegria e disposição, no dia-a-dia das ...

Memória de São Leão Magno

  HOMILIA – 10/11/2022 Escutamos no Evangelho de hoje o chamado "Pequeno discurso escatológico" de Jesus, escrito por Lucas. Trata-se do ensinamento de Jesus, provocado por uma pergunta dos fariseus acerca do tempo em que há de vir o Reino de Deus. Jesus não dá uma resposta exata, até porque ele não veio para satisfazer curiosidades. Isso quer dizer que nós não devemos cair em ilusões, mas é preciso que aprendamos a discernir situações, pessoas, relações e objetos que possam tirar a nossa atenção ou desviar a nossa fé. Em outras palavras, às vezes, perdemos tempo e energia com coisas desnecessárias para a nossa fé e para a nossa vocação. Quantas vezes nós ficamos presos a coisas pequenas, picuinhas, ressentimentos, e deixamos de cuidar da nossa própria fé, da nossa espiritualidade, da nossa vocação? O Reino de Deus não deve ser procurado em manifestações extraordinárias, mas na correspondência habitual, no dia a dia, à luz do Espírito Santo. Não é a toa que o papa Fra...

Festa dos Santos Arcanjos

  FESTA DOS SANTOS ARCANJOS Jo 1, 45-51   O Evangelho de hoje apresenta um personagem interessante: Natanael, que na verdade, é a mesma pessoa de Bartolomeu (apóstolo). A narrativa da liturgia de hoje é antecedida pelo fato de que Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: "Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José". Natanael então disse: "de Nazaré pode sair coisa boa?"; e responde Filipe: "Vem ver!". A partir disso, entramos no evangelho de hoje, no qual Jesus viu Natanael que vinha para ele e disse: "Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade". Ora, muitas vezes, nós também somos como Natanael, isto é, somos desconfiados e preconceituosos, pois, não acreditamos quando alguém simples fala das coisas de Deus e só confiamos naquilo que vemos, experimentamos e comprovamos. Todavia, Jesus mostra que nós não podemos ser assim. Devemos sempre ver a bondade das pess...

26º Domingo do Tempo Comum

  26º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO C Am 6,1a.4-7 | Sl 145(146),7.8-9a.9bc-10 (R. 1) | 1Tm 6,11-16 | Lc 16,19-31   Na liturgia deste fim de semana, continuamos a leitura de Lucas. Por isso, é mister salientar que Lucas é o evangelista dos pobres. Nesse sentido, ele situa essas catequeses de Jesus aos discípulos enquanto se faz o caminho até Jerusalém. Desse modo, eles estão sempre a caminho; assim, nossa vida é peregrina: somos viajantes rumo à Jerusalém celeste. Posto isto, adentramos no Evangelho. Jesus conta aos fariseus a parábola do homem rico, sem nome, que se vestia de púrpura e linho fino e dava festas requintadas, e do pobre, chamado Lázaro, que ficava à porta do rico comendo as migalhas. De início, há um contraste de duas realidades, justamente por este fato de um ter nome e outro não. Na escritura, sempre que não aparece nome próprio, podemos nos identificar com a personagem. Ainda na parábola, quando as duas personagens morrem, Lázaro é acolhido pelos anjo...

Apoio emocional dos moletons

  tempo de leitura: 7 minutos. O portal da revista Forbes publicou, em agosto do corrente ano, uma pesquisa intitulada “A ciência explica por que adolescentes usam moletom no calor?”. O texto, mui interessante por sinal, parte de uma indagação cotidiana bem simples e que pode ser facilmente percebida por nós: por que os adolescentes (e pré-adolescentes) vestem blusa de moletom, mesmo no calor? O texto foi escrito a partir da pesquisa do cientista Marshall Shepherd. A conclusão que o cientista chega é a afirmação de que: “moletons fornecem mais do que apenas conforto físico; eles também administram conforto emocional, semelhante ao de um cobertor pesado”. Ora, talvez isso possa levar à aproximação da quentura do útero materno. Também podemos objetivar outra possível razão para o frequente uso do moletom no verão (razão esta que o autor não apresenta em seu texto, mas ouso acrescentar): uma preocupação com a imagem corporal. Assim, o moletom se torna uma forma de esconder o corpo ...

Procura-se leigos...

 Procura-se leigos... (Poema por: Luis Gustavo da Silva Joaquim) Procura-se leigos... Leigos engajados que se alimentem da oração; Leigos catequistas que estejam preparados para dar as razões da fé; leigos disponíveis que amam profundamente o que fazem. Porque ser leigo é uma rica vocação na igreja que não deve ser esquecida jamais; nela vive o amor o serviço e a entrega das coisas mais banais! Mas sobretudo das coisas reais do amor que à alma satisfaz! Por isso procura-se bons e verdadeiros leigos... Cada vez mais!

Felizes os convidados para as núpcias do Cordeiro (cf. Ap 19, 9)

Quinta-feira - 18/08/2022 20ª Semana do Tempo Comum (Ano Par) Liturgia: Ez 36,23-28 | Sl 50(51),12-13.14-15.18-19 (R. Ez 36,25) | Mt 22,1-14   Felizes os convidados para as núpcias do Cordeiro (cf. Ap 19, 9)   Nós sabemos que Deus é santo; e repetimos isto constantemente. Mas já paramos para pensar no que isto significa? Conforme a primeira leitura (profecia de Ezequiel), a santidade de Deus provém da sua iniciativa e vontade de nos libertar das amarras do pecado. Ora, é ele quem purifica radicalmente o seu povo, que somos nós, sobretudo, transformando-nos a partir de dentro, fazendo de nós uma nova criatura: «arrancarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne» (Ez 36, 26). De nossas imundices somos purificados, como garante-nos o salmista. É interessante que, para os semitas, o coração era considerado o lugar da sede do pensamento, da vontade, do sentimento, da vida moral, da decisão, etc. O termo “coração de pedra” significa, portanto,...

A verdade sobre o tucum

Hoje em dia muitas pessoas são vistas fazendo uso de um anel preto simples na mão. Esse anel possui vários nomes: anel de coco, anel de tucum, anel preto. Ao fim e ao cabo, são a mesma coisa. Todavia, acontece que há pessoas que usam sem nem saber o seu real significado, ou, porque não dizer, reais significados. Antes de tudo, em nível de curiosidade acerca do material utilizado no anel de tucum, sabemos que é uma espécie de palmeira muito resistente, de caule espinhoso, e bastante comum na Amazônia. A palavra tucum deriva do tupi e significa "agulha para costura", por causa, justamente, dos espinhos. Agora, sem mais delongas, como dado histórico, voltamos ao tempo do Brasil imperial. Na ocasião, os escravos presenciavam, como serviçais, faraônicas celebrações matrimoniais dos senhores de engenho e sinhás. E como é costume no rito católico, acontece a troca de alianças. Os escravos, por sua vez, fazendo seus ritos de união entre si, nas senzalas, começaram a imitar o gest...